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Estudo aponta 1,3 mortes até 2040 por minas e usinas de carvão

Estudo alerta: complexo de carvão de Candiota pode provocar até 1,3 mil mortes e R$ 11,7 bilhões em saúde até 2040, com impactos que se estendem ao Brasil e a países vizinhos

Usina térmica a carvão Presidente Médici. Foto: Ibama/Divulgação
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  • Estudo do CREA e do Instituto Arayara aponta que atividades no complexo carbonífero de Candiota podem causar até 1,3 mil mortes e prejuízos de R$ 11,7 bilhões em saúde até 2040, com impactos que podem atingir outras regiões da América do Sul.
  • Entre 2017 e 2040, o total de mortes estimadas é de 1.330, considerando 430 já ocorridas e 870 previstas; as emissões de PM2,5 durante queima, extração, manejo e transporte do carvão são o principal fator.
  • No período, estão previstos 460 partos prematuros e 270 nascimentos com baixo peso; também há projeção de 1.730 visitas a emergências por asma e 190 novos casos em crianças.
  • O Rio Grande do Sul responde por 53% da produção nacional de carvão e 89% das reservas; na região de Candiota operam quatro projetos, incluindo as usinas Candiota III e Pampa Sul.
  • O estudo recomenda desativação gradual das usinas, suspensão de subsídios, maior fiscalização ambiental e políticas de transição justa para trabalhadores; entidades associadas defendem monitoramento contínuo das emissões pelas empresas.

O estudo divulgado nesta quarta-feira aponta que as atividades no complexo carbonífero de Candiota, no Rio Grande do Sul, podem provocar até 1,3 mil mortes e gerar prejuízos de R$ 11,7 bilhões em saúde até 2040. As consequências podem se estender a outras regiões do Brasil e chegar a Argentina, Paraguai e Uruguai.

A pesquisa é assinada pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), em parceria com o Instituto Internacional Arayara. Considera 430 mortes já ocorridas entre 2017 e 2025 e estimativas de 870 óbitos adicionais entre 2026 e 2040.

O estudo também aponta que a queima de carvão brasileiro, com alto teor de cinzas, libera poluentes como PM2.5. Emissão ocorre durante extração, manuseio e transporte, elevando a exposição da população local.

Impactos à saúde

Os efeitos atingem grávidas e recém-nascidos, com projeção de 460 partos prematuros e 270 de bebês com baixo peso entre 2017 e 2040. A poluição pode agravar sintomas de asma, gerando 1.730 atendimentos de emergência e 190 novos casos entre crianças.

Ao todo, o relatório estima 510 milhões de dias de trabalho perdidos por ausências associadas à saúde relacionada ao carvão. A produção de carvão do RS representa 53% da oferta nacional e 89% das reservas.

O estudo descreve quatro projetos independentes na região de Candiota: minas em Candiota e Seival Sul, além das usinas Candiota III e Pampa Sul, com capacidade instalada relevante.

Pressões por interrupção

Conclui-se que manter usinas a carvão compromete acordos internacionais, como o Acordo de Paris, e contraria o potencial brasileiro de investir em energia renovável, dada a diversidade de recursos disponíveis no país.

Recomendações incluem desativação gradual das usinas, fim de subsídios, fiscalização ambiental mais rígida, avaliações de impacto à saúde e uma transição justa para trabalhadores e comunidades.

A associação de carvão sustentável ABCS informou, em nota, que as emissões das usinas da região são monitoradas em tempo real conforme parâmetros oficiais.

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