- O crocodilo tibeteiro siamês (Crocodylus siamensis) é classificado como criticamente ameaçado, com menos de mil indivíduos estimados no planeta.
- Em Xe Champhone, Laos, foram liberados 56 crocodilos jovens neste mês, totalizando 294 solturas desde 2013; mais 191 estão em criação para futuras liberações.
- O projeto usa head-starting: ovos coletados em até 24 horas, incubados em vilas, com taxa de eclosão de cerca de 53%, bem superior aos 13% na natureza.
- A ligação espiritual dos locais com os crocodilos, com rituais e oferendas, é um pilar do programa, incluindo cerimônias com monges budistas durante as liberações.
- Apesar dos avanços, há ameaças persistentes como perda de habitat e retirada de água; o complexo de Xe Champhone tem cerca de quarenta e cinco mil hectares e depende de planejamento territorial e financiamento contínuo.
Nações do Sudeste Asiático mantêm uma parceria entre ciência e cultura para salvar o crocodilo siamês, espécie criticamente ameaçada. Um programa de conservação que já dura uma década atua nas planícies alagadas de Xe Champhone, na região central do Laos, envolvendo comunidades locais.
A iniciativa foca na reprodução assistida de filhotes, com os ovos recolhidos em ninhos selvagens, incubados em viveiros comunitários e criados com a supervisão de equipes locais. Os animais são, então, soltos novamente no ecossistema da região, após etapas de adaptação em viveiros de aclimatação.
O programa tem provocado resultados mensuráveis. Em 19 de março, 56 crocodilos jovens foram reintroduzidos aos wetlands de Xe Champhone, elevando o total de indivíduos libertados desde 2013 para 294. Ainda existem 191 reprodutores em fase de preparação para o próximo ciclo de solturas.
O Siamese crocodile (Crocodylus siamensis) figura entre apenas quatro espécies de crocodilianos classificadas como criticamente ameaçadas. Estima-se que menos de 1.000 indivíduos sobrevivam no planeta. O Laos abriga parte da maior população silvestre remanescente na região, com estimativas de 60 a 225 animais na área entre 2022 e 2024.
Essas ações são apoiadas pela ligação espiritual dos moradores com os crocodilos, acreditando que eles protegem o ecossistema e a própria comunidade. A prática de head-starting envolve equipes locais pagas com uma bolsa modesta para coletar ovos, incubá-los e criá-los até ficarem grandes o bastante para retornar ao habitat.
Segundo Oudomxay Thongsavath, gerente do programa da Wildlife Conservation Society (WCS) e natural da região, as oferendas aos espíritos são parte do protocolo antes da coleta dos ovos. O objetivo é aumentar as chances de sobrevivência dos filhotes ao longo do ciclo de desenvolvimento.
Para reforçar, especialistas destacam a participação de moradores, autoridades e equipes científicas no manejo da espécie. Steve Platt, da WCS, enfatiza que o vínculo cultural facilita a aceitação das ações de conservação. A cooperação, segundo ele, tem se mostrado essencial ao longo dos anos.
Os ninhos são monitorados por drones desde 2022, o que amplia a eficácia das operações de busca. A taxa de eclosão de ovos recolhidos é estimada em 53%, consideravelmente superior aos cerca de 13% registrados na natureza, principalmente devido a enchentes e predadores.
Entretanto, ameaças persistem. A agricultura de secas na planície alagável reduz o habitat, com expansão de áreas de cultivo de arroz próximas aos leitos de inundação. A extração de água e a pressão sobre o entorno dos wetland continuam a impactar o ecossistema. Além disso, mortes acidentais em redes de pesca ainda ocorrem.
O programa da WCS trabalha com 18 comunidades locais, buscando pescar, planejar o uso da terra e promover ecoturismo, mantendo o foco no crocodilo siamês. Especialistas da IUCN destacam a relevância regional dessas ações, que também ocorrem em Cambodja e Tailândia, ampliando o efeito de conservação na região. Fonte: Mongabay.
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