- no alto alto do bangladesh, nas colinas de chittagong, agricultores adotam o machan, cultivo em treliças de bambu que eleva as plantas e substitui o jhum tradicional.
- milan tanchangya, 43 anos, afirma que a técnica permite várias safras por ano e reduz erosão, gerando entre 70.000 e 80.000 takas adicionais por ano.
- dados da secretaria de agricultura mostram queda na área de jhum: de 9.050 ha (2014-15) para 8.270 ha (2024-25); o número de produtores subiu de 45.642 para 56.524.
- a área cultivada com machan cresceu de 2.282 ha (2022-23) para 2.827 ha (2024-25), com destaque para pepino, quiabo e feijão.
- especialistas dizem que machan não substitui totalmente o jhum, mas reduz a pressão sobre o solo e pode melhorar rendimentos, mantendo a identidade cultural das comunidades indígenas.
Milan Tanchangya, 43, trabalha em uma área de Bandarban onde cucumbers e pepinos crescem nos vergalhões de bambu que formam a estrutura de suportes, chamados machan. Ele colhe as frutas com faca e as coloca em uma cesta, em Suwalok, Amtali.
O cultivo tradicional jhum, prática de manejo de várias culturas adotada por comunidades indígenas do CHT, vem perdendo espaço nos últimos anos. A queda de produtividade e a escassez de terras levaram Milan e outros agricultores a buscar alternativas para sustentar a família de sete membros.
A mudança ganhou impulso à medida que o machan oferece colheitas mais estáveis e menos erosão do solo. Culturas como pepino, melão amargo e feijão podem ser produzidas por mais de uma temporada ao longo do ano, mantendo o solo mais protegido.
Machan, uma nova esperança
Em Amtali, Liton Marma montou um machan com bambu, tábuas e redes plásticas. Ele explica que o sistema permite que as plantas cresçam a poucos metros do solo, reduzindo pragas e umidade excessiva, o que aumenta a produtividade.
Segundo o Departamento de Extensão Agrícola (DAE) de Bandarban, o cultivo com machan cresce nas serras. Na safra 2022-23, 2.282 hectares estavam sob machan; na 2024-25, passaram para 2.827 hectares, em maior parte nas zonas de Sadar e Rowangchari.
O método tem atraído produtores como Tipu Tanchangya, que colheu cerca de 2.400 kg de melão amargo na última safra, vendendo a 55 takas por kg. Ele diz que a renda estável do machan ajuda a manter a família solvente.
Jhum em declínio
Manue Mro, que praticou jhum por mais de 25 anos, abandonou a prática há oito anos e passou para pomares de frutas. Ele cita a redução de área cultivável e o esgotamento do solo como fatores centrais da mudança.
Dados do DAE de Bandarban indicam queda na área de jhum de 9.050 hectares na temporada 2014-15 para 8.270 hectares em 2024-25. O número de produtores também subiu de 45.642 para 56.524 no mesmo período.
Profissionais e líderes comunitários destacam que jhum continua sendo parte da identidade cultural de grupos como Chakma, Marma, Mro, Bawm e Khumi. Mesmo assim, reconhecem que a prática não atende mais à demanda atual.
Segundo o deputy director do DAE, a transformação exige medidas políticas para apoiar a transição de jhum para cultivos comerciais, sem abandonar completamente a tradição. A adoção do machan também está ligada à diminuição da erosão em encostas íngremes.
Especialistas ressaltam que machan reduz a vulnerabilidade a pragas, doenças e encharcamento durante as chuvas fortes, ao manter boa cobertura vegetal nas encostas. A prática é vista como complemento, não substituição total, da agroecologia local.
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