- A Lancet publicou a maior revisão sobre cannabis medicinal e concluiu que não há evidência suficiente de que canabinóides tratem ansiedade, depressão ou TEPT.
- Foram avaliados 54 ensaios clínicos randomizados entre 1980 e 2025; 44% apresentaram alto risco de viés e a maioria das evidências foi fraca.
- A cannabis mostrou efeitos positivos em insônia, dependência da cannabis e na redução de sintomas de autismo e tiques, mas com ressalvas sobre a qualidade dos estudos.
- Em termos de segurança, os efeitos adversos foram geralmente leves, porém os dados não refletem o uso cotidiano de longo prazo nem todas as condições de saúde mental.
- No Brasil, mais de 873 mil pessoas usam remédios à base de Cannabis sativa; a Anvisa ampliou normas em janeiro para venda em farmácias, cultivo e incentivo à pesquisa.
O estudo, publicado no Lancet, avaliou a segurança e os efeitos de medicamentos canabinóides. A revisão afirma que não há evidências suficientes de que CBD ou THC tratem ansiedade, depressão ou TEPT. Resultados positivos aparecem apenas para insônia e dependência de cannabis.
Foram analisados 54 ensaios clínicos randomizados, com dados de diversas nações entre 1980 e 2025. Quase metade dos estudos apresentaram alto risco de viés, e a robustez das evidências foi fraca em grande parte. O efeito perceptível do THC pode ter influenciado relatos.
Na Austrália, cerca de 700 mil pessoas usaram canabinóides no último ano. Entre os motivos, ansiedade, TEPT, insônia, depressão e TDAH aparecem entre as indicações. O estudo alerta para dúvidas sobre eficácia médica em várias dessas condições.
Para ansiedade, TEPT, anorexia, transtornos psicóticos e dependência de opióides, os resultados não superam o placebo. Em depressão, TDAH, TOC e transtorno bipolar, faltam dados conclusivos. Ainda assim, há indícios de benefício na dependência da cannabis.
Observa-se que o uso clínico controlado tende a diferir do uso recreativo. Medicamentos com concentração menor de THC e maior controle de CBD surgem na forma de óleos orais. Em alguns casos, isso pode reduzir a dependência de fumo, mas não há consenso definitivo.
Riscos de efeitos adversos costumam ser leves a moderados, como náuseas, fadiga e boca seca. Contudo, muitos ensaios refletem curto prazo e formulações específicas, nem sempre representativas do uso cotidiano. A pesquisa recomenda cautela e monitoramento.
No Brasil, mais de 873 mil pessoas consomem remédios à base de Cannabis sativa. A Anvisa ampliou normas, autorizando venda em farmácias, cultivo por pessoas jurídicas e incentivo a novas pesquisas. O mercado global da cannabis medicinal movimenta cerca de 30 bilhões de dólares anuais.
Os autores destacam a necessidade de evidências de qualidade, com pesquisas de longo prazo e avaliações em condições com opções terapêuticas limitadas. A conclusão é que, hoje, as evidências de benefício para transtornos de saúde mental são insuficientes.
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