- Estudos indicam que as sequelas da Covid-19 podem durar até dois anos após a infecção, ocorrendo em vários órgãos.
- Vacinas foram atualizadas para doses monovalentes com a cepa LP.8.1, buscando melhorar proteção contra variantes, especialmente para formas graves da doença.
- Pesquisa publicada na Nature Medicine com mais de 138 mil infectados aponta efeitos persistentes nos sistemas cardiovascular, neurológico, mental, respiratório e metabólico.
- Cerca de 60% das sequelas avaliadas apresentam risco elevado mesmo após dois anos, com maior intensividade em pessoas hospitalizadas.
- A vacinação continua essencial para reduzir hospitalização, gravidade e potencial risco de sequelas, além de ajudar a diminuir a circulação do vírus.
Ainda que a Covid-19 seja vista por muitos como superada, a ciência aponta impactos persistentes. Estudos indicam que sequelas podem durar até dois anos após a infecção, reforçando a relevância do SARS-CoV-2 para a saúde pública.
Um estudo publicado na Nature Medicine, liderado por Al-Aly et al. em 2023, acompanhou mais de 138 mil pessoas infectadas durante dois anos. Os resultados mostram que, embora muitos sintomas diminuam com o tempo, parte dos pacientes continua apresentando problemas de saúde.
Sequelas em vários sistemas
Os efeitos abrangem o sistema cardiovascular, com maior risco de doenças cardíacas; o neurológico, com alterações cognitivas; a saúde mental, com aumento de ansiedade e depressão; o respiratório, com sintomas persistentes; e o metabolismo, com maior risco de diabetes. Mesmo quadros leves podem evoluir com sequelas.
Cerca de 60% das sequelas analisadas permaneceram com risco elevado após dois anos, segundo os dados. A medição da carga de doença mostrou impacto expressivo na qualidade de vida a longo prazo, com maiores riscos entre pacientes hospitalizados.
Vacinação atualizada e proteção a longo prazo
A atualização das vacinas contra Covid-19, com imunizantes monovalentes na cepa LP.8.1, reflete a evolução do vírus e a importância de acompanhar mutações na proteína spike. A proteção contra formas graves da doença continua estável.
O objetivo das doses de reforço é aumentar a proteção contra variantes recentes, reduzir infecção e diminuir complicações. A estratégia atual prioriza grupos vulneráveis, como idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.
Implicações para políticas de saúde
Os dados sugerem que a Covid-19 deve ser encarada como doença com potencial crônico, não apenas como infecção aguda. Isso orienta estratégias de prevenção e o acompanhamento de pacientes ao longo do tempo.
Manter o calendário vacinal em dia ajuda a reduzir a circulação do vírus, a gravidade dos casos e a probabilidade de sequelas prolongadas. Assim, a vigilância epidemiológica e a vacinação continuam como pilares da resposta sanitária.
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