- Incêndio na sala de controle do reator IEA-R1, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, ocorreu nos dias vinte e cinco de março.
- O Ipen é a única instalação no Brasil capaz de produzir Lutécio-177, radioisótopo utilizado em terapias contra câncer de próstata e tumores neuroendócrinos.
- Mesmo hoje, pacientes de câncer de próstata não dependem exclusivamente da produção do Lutécio-177; existem alternativas terapêuticas, como quimioterapia e drogas-alvo.
- A produção de Lutécio-177 pode sofrer atrasos no longo prazo, o que pode impactar pesquisas e custos futuros de tratamentos no país.
- A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear informou que o reator ficará fora de operação por prazo indeterminado até a verificação das condições de segurança para retorno.
Um incêndio atingiu a sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-R1, do Ipen, em São Paulo, nos dias 25 de março. O evento pode afetar a produção de lutécio-177, insumo utilizado em terapias de câncer, segundo especialistas.
O Ipen informou que o reator está fora de operação por prazo indeterminado. A produção do radioisótopo é uma das funções da instalação, que também oferece suporte a pesquisas científicas. O impacto imediato envolve a interrupção de atividades relacionadas ao lutécio-177.
Denis Jardim, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas-SP, aponta que o uso do lutécio-177 é específico para determinados tumores e, no Brasil, não atinge grande parte dos pacientes com câncer. Diversos tratamentos existem como alternativa em cada caso.
Ele destaca que, no câncer de próstata, a medicação aprovada pela Anvisa é o PSMA lutécio-177, que é comercializada e importada. Mesmo com a possibilidade de utilizar lutécio-177, o cenário atual não depende da produção local.
Jardim afirma ainda que a produção de Lutécio Dota, voltada a tumores neuroendócrinos, não enfrenta impactos imediatos. Contudo, o especialista alerta para possíveis efeitos futuros em pesquisa e desenvolvimento, caso a produção demore a retomar.
Para a direção da ANSN, o presidente Alessandro Facure, a reativação do reator depende de comprovação de condições seguras. A expectativa é de que o equipamento permaneça inoperante por tempo indefinido, o que pode atrasar a disponibilidade do insumo no país.
Facure ressalta que o IEA-R1 também era utilizado para pesquisas científicas, além da produção clínica. A unsureza sobre quando o reator voltará a operar mantém incertezas sobre cronogramas de longo prazo.
Com informações de Robson Rodrigues, da CNN, a situação atual exige acompanhamento das autoridades para confirmar prazos e eventuais impactos na cadeia de fornecimento de lutécio-177 no Brasil.
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