- Estudo mostra que o complexo carbonífero de Candiota pode provocar até 1.300 mortes e custo de R$ 11,7 bilhões em saúde até 2040, com impactos que podem alcançar outras regiões do Brasil e países vizinhos.
- Para chegar aos números, foram consideradas 430 mortes entre 2017 e 2025 e 870 estimadas para 2026‑2040; o carvão representa cerca de 1,6% da matriz energética, mas tem impactos ambientais relevantes.
- Em termos de saúde, há previsão de 460 partos prematuros e 270 bebês com baixo peso; também devem ocorrer 1.730 atendimentos de emergência por asma e 190 novos casos de asma em crianças, além de 510 milhões de dias de trabalho perdidos.
- O Rio Grande do Sul concentra 53% da produção de carvão do país e 89% das reservas; na região de Candiota operam quatro projetos: minas de Candiota e Seival Sul, mais as usinas Candiota 3 e Pampa Sul.
- O estudo recomenda desativação gradual das usinas a carvão, fim de subsídios, maior fiscalização, avaliações de impacto à saúde e medidas de transição justa para trabalhadores e comunidades; a associação que representa o setor afirma que as emissões são monitoradas em tempo real.
O estudo divulgado aponta que o complexo carbonífero de Candiota, no Rio Grande do Sul, pode provocar até 1.300 mortes e prejuízos de 11,7 bilhões de reais em saúde até 2040. Os impactos podem se estender a outros estados e a países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai.
Segundo a pesquisa, 430 óbitos ocorreram entre 2017 e 2025 e há estimativa de 870 mortes adicionais para o período 2026-2040. A autora principal é Vera Tattari, analista do CREA, que classifica a poluição gerada pelo carvão como desproporcional aos seus efeitos na matriz energética.
A queima do carvão brasileiro, com alto teor de cinzas, libera PM2.5 e outras partículas. Emissão também ocorre na extração, manuseio e transporte, expondo populações vizinhas de forma cumulativa. Crianças, idosos e portadores de doenças crônicas estão entre os mais vulneráveis.
Impactos à saúde
O estudo aponta efeitos sobre grávidas e recém-nascidos, com 460 partos prematuros e 270 bebês com baixo peso estimados entre 2017 e 2040. A poluição também agrava síndromes de asma, gerando 1.730 visitas de emergência e 190 novos casos pediátricos.
O relatório registra ainda 510 milhões de dias de faltas no trabalho por causas de saúde associadas ao carvão. A consequência é perda de produtividade e interrupção de atividades econômicas em várias áreas.
Panorama regional e produção
O Rio Grande do Sul responde por 53% da produção nacional de carvão e 89% das reservas. Em Candiota operam quatro projetos independentes: minas de Candiota e Seival Sul, além das usinas Candiota 3 e Pampa Sul, com potências de 350 MW e 345 MW, respectivamente.
Pressões por mudança
Conclui-se que a continuidade das usinas compromete acordos do Brasil com o Acordo de Paris e contraria o potencial do país em liderar energias renováveis. O estudo sugere um descomissionamento gradual aliado a incentivos, investimentos em renováveis e transição justa.
A pesquisa propõe cinco recomendações ao governo: cronograma para desativar usinas antes das licenças expirarem, fim de subsídios e benefícios ao carvão, fiscalização mais rigorosa, avaliações de impacto à saúde e transição justa para trabalhadores.
Posicionamento institucional
A ABCS afirmou que as emissões das usinas de carvão são monitoradas em tempo real, seguindo padrões científicos. O estudo cita ainda que a energia fóssil representa cerca de 1,6% da matriz elétrica, mas concentra poluição relevante.
As informações foram veiculadas pela Agência Brasil e adaptadas pelo Poder360 em 25 de março de 2026, às 16h29.
Entre na conversa da comunidade