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Suposto fuso horário nazista na Espanha rouba sono, mas aproxima da Europa

A versão de que o fuso espanhol foi gesto a Hitler é falsa, mas o horário atual impacta sono e atividades, mantendo o debate sobre mudança

The Greenwich Meridian clearly passes through Spain, leaving most of its territory on the side of the United Kingdom and Portugal.
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  • Espanha mantém o horário da Europa Central (CET), mesmo estando mais próxima do GMT, o que provoca jet lag há décadas.
  • O mito de que o ajuste de 1940 foi um gesto a Hitler é falso; a mudança ocorreu em março de 1940 para alinhar o país aos demais europeus.
  • A exceção fica com as Ilhas Canárias; no oeste da península, a diferença de horário é mais evidente entre inverno e verão.
  • Segundo especialistas, o ajuste não foi uma decisão para favorecer nazistas, mas para sincronizar horários na Europa durante a recuperação após a guerra.
  • Profissionais de saúde destacam que o relógio biológico é influenciado pela luz; manter o horário de inverno poderia melhorar sono e ritmos circadianos.

O horário de Espanha segue CET, não GMT, gerando jet lag há décadas. A diferença decorre da posição geográfica, não de um gesto de Franco a Hitler. A narrativa popular atribui a mudança a relações com a Alemanha nazista.

Especialistas explicam que a mudança ocorreu em março de 1940, quando o governo de Franco ajustou os relógios para alinhar-se a outros países europeus. A medida foi apresentada como provisória, mas nunca revertida.

Desde então, a maior parte do país fica adiantada em relação ao sol no inverno e pode chegar a dois horários no verão, com exceção das Ilhas Canárias. Em Galicia, a diferença do relógio é mais perceptível.

A tese de uma homenagem a Hitler não encontra apoio histórico, dizem especialistas. A mudança suíta por 1940 buscou somente sincronizar o horário com a Europa que já tinha avançado os relógios semanas antes.

Para além do debate histórico, a coincidência com a hora alemã persiste. Alguns países voltaram ao GMT após a guerra, outros, como Espanha, optaram por manter CET para facilitar transporte, comunicações e atividades econômicas.

Pere Planesas, ex-astrônomo do Observatório Nacional, afirma que a justificativa da época foi alinhar o tempo nacional com países que já haviam adiantado os relógios. A versão de que foi um gesto a favor do regime nazista é contestada pela comunidade científica.

No âmbito da saúde, especialistas apontam que o relógio afeta o relógio biológico. A luz diurna regula funções-chave, enquanto a exposição excessiva à luz noturna pode atrapalhar o sono. Mudanças de hábitos também são relevantes para reduzir distúrbios circadianos.

Dário Acuña, professor emérito da UGR, ressalta que o corpo humano foi feito para atuar durante o dia e descansar com a noite. Manter o horário atual durante o inverno seria mais compatível com a realidade solar, segundo ele.

A adaptação sugerida envolve ajustar hábitos sociais e laborais para acompanhar melhor o ciclo claro/escuro. Segundo especialistas, isso reduziria problemas de sono e outros transtornos relacionados ao ritmo circadiano no país.

Assim, a polêmica histórica dá lugar a uma reflexão prática sobre saúde pública e organização do tempo. A evidência aponta que a mudança de fuso não depende apenas de decisões técnicas, mas de convenções sociais estabelecidas ao longo de décadas.

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