- Estudo do Google Research sugere que pode ser necessário menos qubits para que a criptografia do Bitcoin seja quebrada, caindo de cerca de 13 milhões para aproximadamente 500 mil qubits físicos — queda expressiva, mas ainda assim exige infraestrutura complexa.
- Analistas dizem que o risco não é imediato, mas a janela de adaptação pode ser menor do que o previsto, com 2029 figurando como referência para começar a migrar endereços mais antigos.
- A maior preocupação é a criptografia de curva elíptica, usada para proteger as chaves dos usuários; o SHA-256, usado na mineração, é considerado menos sensível ao ataque quântico.
- Mesmo com menos qubits, o ataque exigiria tecnologia avançada, cara e instável, o que não torna a quebra prática no curto prazo.
- O ecossistema já discute saídas, incluindo novos formatos de endereços resistentes à computação quântica e estratégias sobre o destino de moedas antigas, como as atribuídas a Satoshi Nakamoto.
A computação quântica voltou a ocupar o centro das atenções no mercado cripto nesta terça-feira, 31, com a divulgação de uma pesquisa do Google Research. O estudo sugere que o volume de recursos para romper a criptografia atual pode ser menor do que se imaginava, elevando o debate sobre o Bitcoin a longo prazo.
Especialistas destacam que, embora a ameaça pareça distante, o tempo para adaptação pode encurtar. O mercado passa a considerar cenários em que a janela de proteção não é tão ampla quanto antes, exigindo planejamento da comunidade e das empresas do setor.
André Franco, CEO da Boost Research, afirma que o estudo reforça a percepção de que o risco está mais próximo. Segundo ele, 2029 surge como um possível marco para migrar endereços vulneráveis para padrões de proteção mais robustos.
O estudo aponta que a necessidade de qubits para quebrar a criptografia pode cair de cerca de 13 milhões para cerca de 500 mil qubits físicos, uma melhoria expressiva, mas ainda teórica. O custo prático permanece alto.
Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, aponta duas frentes de exposição: o SHA-256 da mineração e, principalmente, a criptografia de curva elíptica que protege chaves. A vulnerabilidade estaria em chaves privadas a partir de chaves públicas.
Segundo Szuster, um ataque com um computador quântico poderoso, usando o algoritmo de Shor, poderia tornar possível a obtenção de chaves privadas a partir de chaves públicas expostas. Hoje, isso não é viável com a computação tradicional.
Apesar de o avanço estimular discussões, especialistas veem o progresso como sinal de aceleração de preparativos, não como pânico imediato. A distância prática até ataques em larga escala ainda é grande, mesmo com melhorias teóricas observadas.
O Google não muda a necessidade de uma resposta coordenada. Szuster cita já existirem propostas de endereços que não dependem da criptografia atual, com testes em andamento para resistência à computação quântica.
O debate sobre proteção envolve migração gradual de fundos de endereços antigos para formatos com criptografia pós-quântica. O desafio não é apenas tecnológico, mas também requer consenso dentro da rede.
Entre as questões em aberto, está o destino de bitcoins inacessíveis ou atribuídos a Satoshi Nakamoto. Há discussões sobre congelar ativos ou manter a posse como prêmio para quem superar a quebra quântica, sem solução definitiva.
A conclusão dos especialistas é que o cenário é um alerta claro, ainda sem uma ruptura prática. O tema exige atenção contínua, planejamento estratégico e ações coordenadas pela comunidade.
Resumo: investidores não devem entrar em pânico, mas precisam acompanhar a evolução da segurança do Bitcoin e a velocidade de adoção de medidas de proteção. A narrativa atual indica um relógio de longo prazo cada vez mais relevante.
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