- Em 2023, dietas inadequadas foram responsáveis por mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica, com quase 97 milhões de Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALYs) perdidos.
- O estudo Global, Regional e Nacional de Carga de Doenças analisou 30 anos, em 204 países, usando 13 fatores dietéticos para estimar a carga associada à doença.
- Homens e pessoas mais velhas apresentam maior mortalidade relacionada à má alimentação; bebidas açucaradas e carnes processadas contribuíram para aumentos significativos na Ásia e na África.
- Regiões com maiores reduções desde 1990: Australásia, Europa Ocidental e América do Norte; África Subsaariana Central registrou aumento de 21%.
- Fatores críticos incluem alto consumo de sódio e baixo consumo de frutas, nozes, sementes, grãos integrais e ômega-6; há variações regionais que sinalizam necessidade de políticas públicas e letramento em saúde.
O estudo Global Burden of Disease (GBD) aponta que, em 2023, a má alimentação foi responsável por mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica, além de quase 97 milhões de DALYs perdidos. A pesquisa envolve mais de 200 países e avalia 13 fatores dietéticos.
A cardiopatia isquêmica ocorre pelo estreitamento das artérias coronárias, reduzindo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco. O trabalho mostra que padrões alimentares inadequados são entre os principais fatores de risco evitáveis para essa doença.
Realizado com base em dados de literatura médica e estatísticas oficiais, o estudo utiliza um modelo computacional para relacionar fatores de risco a desfechos clínicos de doenças cardiovasculares. A publicação foi feita pela Nature Medicine em 30 de outubro de 2026.
O levantamento indica que, em 2023, dietas com alto teor de sódio e baixa ingestão de nozes, sementes, grãos integrais e frutas estão associadas a uma maior carga de mortes por cardiopatia isquêmica. O consumo de ácidos graxos poli-insaturados ômega-6 também aparece como variável relevante.
Itamar de Souza Santos, da Faculdade de Medicina da USP, explica que dietas com alto consumo de ultraprocessados costumam representar o principal fator de risco. Ele integra o Elsa-Brasil, que investiga fatores de risco para doenças crônicas em 15 mil trabalhadores de instituições públicas do Brasil.
O estudo ressalta variações regionais marcantes. Enquanto a Australásia, a Europa Ocidental e a América do Norte mostraram reduções expressivas nas mortes associadas à dieta desde 1990, a África Subsaariana Central registrou aumento de 21%. O fenômeno está ligado à renda, acesso a alimentos saudáveis e políticas públicas.
Entre os grupos, pessoas com mais de 65 anos apresentaram maior mortalidade relacionada à dieta, com o sexo masculino tendo carga de doença superior em todas as faixas etárias. Bebidas açucaradas e carnes processadas contribuíram para o aumento em regiões como Ásia Oriental e África Subsaariana Ocidental.
A pesquisa também aponta que países em desenvolvimento enfrentam maior fardo da doença por desnutrição e falta de acesso a alimentos protetores, ao passo que países desenvolvidos enfrentam maior exposição a ultraprocessados e bebidas açucaradas. Há variações regionais na carga por tipos de alimento.
Para o Brasil, o estudo destaca que há dados robustos que permitem análises locais mais precisas. Ainda assim, especialistas ressaltam a necessidade de políticas públicas que reduzam componentes nocivos e promovam letramento em saúde para escolhas mais conscientes.
O artigo Global, regional and national burden of ischemic heart disease attributable to suboptimal diet, 1990–2023: a Global Burden of Disease study está disponível para consulta na revista Nature Medicine. Mais informações podem ser obtidas com Itamar de Souza Santos.
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