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Dispositivos coletam dados do corpo em escala maior do que você imagina

Wearables transformam dados do corpo em hábitos, mas elevam dúvidas sobre utilidade clínica e podem aumentar a ansiedade

Acessórios inteligentes: até que ponto eles valem a pena? (milorad kravic/Getty Images)
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  • Wearables ajudam a transformar dados em hábitos, com oitenta e sete por cento dos usuários relatando melhoria no sono ou maior frequência de exercícios.
  • Oura e Whoop são exemplos de sucesso internacional; a Oura vale US$ 11 bilhões e já ganhou visibilidade com celebridades, enquanto a Whoop atrai atletas famosos.
  • O setor se beneficia de um apoio regulatório mais brando nos Estados Unidos, com o FDA sinalizando menos regras rígidas para esse tipo de tecnologia.
  • Há impacto negativo: dependência dos dados pode aumentar ansiedade e levar a decisões indevidas, como cancelamento de compromissos, conforme relato do Wall Street Journal.
  • Oura, além de monitorar saúde, virou item de estilo, com opções de personalização caras, como revestimento de ouro com diamantes por US$ 6.495.

Os wearables mais do que registrar dados começam a influenciar hábitos, conforme o setor de bem-estar ganha espaço com novas versões de dispositivos. Esses gadgets prometem monitorar o corpo e orientar decisões diárias, do sono à atividade física.

Pesquisas indicam que usuários desses dispositivos adotam, em média, dois novos hábitos saudáveis e relatam melhora no sono ou maior frequência de exercícios. O consumo de smartwatches segue como carro-chefe no Brasil, junto com itens como o anel Oura e a pulseira Whoop.

O Oura Ring, finlandês, lidera o segmento de anéis para sono e recuperação, avaliado em US$ 11 bilhões. Em paralelo, a Whoop, da Whoop Inc., ganhou popularidade entre atletas renomados, ampliando a visibilidade desses modelos no exterior.

Mudança de foco e cenário regulatório

O avanço ocorre num mercado de bem-estar em expansão, impulsionado por práticas de mercado e por reguladores como o FDA. Nos EUA, a autoridade sinalizou flexibilização regulatória para esse tipo de tecnologia, o que facilita a ampliação de uso e venda.

No entanto, surgem efeitos colaterais: a dependência de dados pode aumentar ansiedade e levar a decisões baseadas em leituras imprecisas, segundo relatos de veículos de imprensa especializados.

Essas tecnologias prometem antever sinais do corpo por meio de sensores e algoritmos, apontando, por exemplo, variações de glicose, riscos de pressão alta e, em alguns casos, monitoramento hormonal. O dispositivo passou de utilidade clínica a ferramenta cotidiana.

Segundo um relato público, a jornalista passou a seguir as leituras com mais rigor após o uso regular do anel. Em semanas iniciais, o app entregava pontuações, sugeria ajustes na rotina e reforçava comportamentos, aumentando a sensação de controle.

Entretanto, houve distorções: atividades domésticas foram interpretadas como esforço extremo e eventos sociais como estresse. Em certo momento, novas leituras levaram a cancelamentos de compromissos, criando dúvidas sobre a precisão dos dados.

O diretor médico de uma das empresas reconheceu limitações dos modelos, que utilizam várias métricas, mas ainda não fornecem respostas definitivas para interpretar sinais de forma precisa. A ideia de um diagnóstico sólido ainda não está alcançada.

Limites do autocuidado impulsionado pela tecnologia

Os wearables ajudam na conscientização sobre hábitos, apoiando estudos que associam acompanhamento contínuo a mudanças comportamentais. Em contrapartida, leituras estimativas podem gerar interpretações incorretas, dificultando distinção entre variação normal e alerta de problema.

Especialistas apontam casos de leituras extensas de possíveis arritmias sem sintoma clínico claro. Em alguns pacientes, isso gera ciclos de checagem desnecessários e aumenta a ansiedade, em vez de oferecer repouso ou orientação clínica.

Além do uso clínico, o anel da Oura também entra no campo do estilo. Nos EUA, há demanda por personalização de acabamento, com opções de revestimento de ouro e diamantes, que elevam o preço do produto.

As empresas ressaltam que ainda trabalham para melhorar a interpretação de dados, reconhecendo que o caminho envolve evolução contínua dos modelos e maior clareza na comunicação com usuários.

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