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Pesquisa mostra que mulheres são as principais cuidadoras de autistas

Mapa sobre TEA aponta que mulheres são as principais cuidadoras; diagnóstico precoce amplia acesso a terapias e pressiona o sistema público

Simbolo do Autismo. Foto: Ilustração/Simbolo Autismo
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  • O mapa do autismo no Brasil aponta que mulheres são as principais cuidadoras, com boa parte delas fora do mercado de trabalho.
  • A média de diagnóstico, apontada pela pesquisa, fica em torno de quatro anos, com avanços em diagnóstico precoce conforme dados antecipados.
  • O estudo é fruto de 23.632 respostas de pessoas de todas as regiões, incluindo responsáveis por pessoas autistas e autistas acima de dezoito anos.
  • O governo federal informou investimento de 83 milhões de reais para ampliar atendimento no SUS, com 59 novos serviços, como Centros Especializados em Reabilitação.
  • O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima que o Brasil tenha cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas.

No Distrito Federal, uma advogada de 43 anos acompanhou o filho João, 18, chegar a uma faculdade em Brasília, marcando um passo importante para o que ele quer estudar. A mãe, Anaiara Ribeiro, decidiu se matricular e viver a experiência da sala de aula ao lado dele, como parceira de estudos. O diagnóstico de autismo de João só foi confirmado aos 8 anos, após longas buscas por profissionais.

Desde os dois anos, Anaiara buscou orientação de especialistas para entender o comportamento do filho. Ela pediu demissão do emprego para apoiar o diagnóstico e o tratamento, trabalhando em horários diversos para acompanhar de perto as necessidades de João. A experiência de vida da família reflete o papel predominante das mulheres como cuidadoras.

Diagnóstico precoce

Segundo dados do Mapa do Autismo no Brasil, o diagnóstico costuma ocorrer aos quatro anos, mas João representa uma exceção positiva da pesquisa. Estudos indicam que diagnosticar cedo amplia as possibilidades de tratamentos adequados e inclusão escolar. A ideia é ampliar o caminho de cuidados desde a atenção primária.

O levantamento revela ainda que as famílias gastam mais de R$ 1 mil com terapias, em grande parte por meio de planos de saúde. Regiões Norte e Nordeste tendem a usar mais a rede pública de saúde para acesso aos serviços.

Sistema público

O governo federal informou investimento de R$ 83 milhões para ampliar a assistência a pessoas com TEA. Serão habilitados 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação e transporte adaptado. As medidas visam ampliar a rede de atendimento no SUS.

A presidenta do Instituto Autismos destacou que a maior parte das cuidadoras são mulheres e que muitas não estão no mercado de trabalho. O estudo fornece recomendações para melhorar o atendimento e incentivar pesquisas sobre autismo no país.

Direitos e inclusão

Os resultados também apontam avanços na inclusão, como acesso a lazer com descontos para acompanhantes. Anaiara, apesar do divórcio, formou nova família e hoje convive com um novo parceiro que assumiu a paternidade de João, ampliando o suporte à família.

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