- Durante a Quaresma, milhões na Grécia e em comunidades ortodoxas adotam uma dieta quase vegetariana, com foco em legumes, verduras e preparos simples, sem carne nem laticínios.
- No mosteiro de Santo Agostinho e Serafim, em Trikorfo, Quócida, cerca de 40 monges seguem as regras com refeições simples, sem óleo em dias de semana e sem carne, peixes com espinha, laticínios, ovos ou óleo. Óleo de oliva é consumido apenas nos fins de semana.
- Os nutricionistas destacam possíveis benefícios à saúde, como melhora do colesterol e do controle de glicose, desde que o jejum não resulte em deficiências.
- A prática é considerada um treino de disciplina espiritual, similar a um estilo de vida que favorece autocontrole e concentração.
- Durante a Quaresma, o mercado de peixe de Atenas costuma ficar movimentado com frutos do mar sem espinha; há flexibilidade para quem opta por jejum apenas na Semana Santa, com refeições mais leves.
A Quaresma em comunidades ortodoxas volta a ganhar foco na Grécia e ao redor do mundo. Um jejum de várias semanas, geralmente no período da Páscoa, incentiva uma dieta quase vegetariana, com ênfase em legumes, grãos e preparo simples, sem carne nem laticínios.
Na Grécia central, 40 monges do Mosteiro de Santo Agostinho e Serafim seguem as regras com rigor. As refeições são simples, porém com sabor. Batatas assadas recebem tahine para crocância, e um caldo de legumes feito na hora eleva o paladar das lentilhas.
Os monges jejuam com os hábitos tradicionais: a comida é consumida em silêncio, com longas barbas e vestimenta negra. O azeite é permitido apenas nos fins de semana, e o cardápio exclui carne, peixe, laticínios e ovos.
O que comemos durante a Quaresma
O abade Father Nektários explica que as opções ficam restritas a leguminosas e vegetais. Ele ressalta que a disciplina alimentar facilita a concentração espiritual durante o período litúrgico.
Nutricionistas destacam possíveis benefícios à saúde ao longo da Quaresma. A abstinência de carnes com gorduras saturadas pode reduzir o colesterol e facilitar o controle da glicose. A perda de peso também é citada como efeito possível.
Contudo, especialistas alertam para deficiências se o jejum se prolongar demais. Vitaminas como B12 e ferro, presentes em alimentos de origem animal, merecem atenção em jejuns mais longos.
O sentido religioso e o cotidiano dos fiéis
O abade compara a prática ao treinamento físico: a igreja funciona como treinador e a igreja como academia, usando o jejum para cultivar corpo e mente. A observância busca aprofundar a contemplação.
Durante a Quaresma, o mercado de peixe de Atenas costuma ficar movimentado com frutos do mar aceitos pelo jejum, como mariscos, polvo e mexilhão, diante da procura dos fiéis.
Pesquisas indicam que diets com períodos de abstinência de carne e laticínios podem manter o peso estável, melhorar o perfil lipídico e favorecer o controle da glicose. Estudos com monges ortodoxos relatam esses efeitos de forma consistente ao longo do ano.
Perspectivas e adaptação para quem não pratica integralmente
Nektários aponta que a disciplina pode se traduzir para a vida cotidiana, com menor impulsividade e maior autocontrole. Quem prefere flexibilizar, pode aderir apenas durante a Semana Santa, com refeições simples e itens sazonais disponíveis no comércio.
A tradição enfatiza abstinência de óleo em dias de semana e proíbe laticínios, com exceções de fins de semana. O alimento preparado mantém-se simples, sem abrir mão do sabor.
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