- Estudos associam o DIU hormonal a aumento relativo do risco de câncer de mama: cerca de 40% na Dinamarca e 38% na Coreia, após ajustes.
- No entanto, o aumento absoluto é baixo e comparable a outros fatores, como obesidade e uso de pílula anticoncepcional.
- O DIU hormonal tem alta eficácia e pode ficar no corpo de três a cinco anos; o DIU de cobre pode durar até dez anos.
- No Brasil, o uso do DIU é baixo, cerca de 3,8%, e a inserção nas unidades básicas de saúde é realizada por menos da metade das UBS.
- A decisão deve considerar benefícios e riscos com acompanhamento médico; o DIU hormonal é contraindicado para quem já teve câncer de mama.
Estudos epidemiológicos investigam há anos a possível relação entre o uso de DIU hormonal e o risco de câncer de mama. Pesquisas apontam associação estatística entre o levonorgestrel liberado pelo dispositivo e aumento do risco, mas especialistas destacam que o efeito é relativo e de magnitude baixa. A interpretação exige contextualizar com outros fatores de saúde.
Resultados de grande alcance sinalizam variações conforme a população estudada. Um estudo dinamarquês com mais de 150 mil mulheres indicou, após ajustes, aumento relativo de cerca de 40% no risco entre usuárias. Outro levantamento sul-coreano identificou elevação de 38% em mulheres de 30 a 49 anos com condições potencialmente beneficiadas pelo DIU.
Entretanto, especialistas pedem cautela na leitura. O aumento relativo não se traduz diretamente em números absolutos altos, sendo semelhante ao observado com anticoncepcionais orais, obesidade ou consumo de álcool. O oncologista Diogo Sales, do Einstein, recomenda avaliar riscos em conjunto com fatores de estilo de vida.
O que é o DIU hormonal
O DIU hormonal libera levonorgestrel, hormônio sintético similar à progesterona, que espessa o muco cervical e altera o endométrio, dificultando fecundação. A eficácia é alta, com falha inferior a 1%, e pode permanecer no organismo de 3 a 5 anos.
Panorama de uso no Brasil
A utilização do DIU hormonal ainda é relativamente baixa no país. Dados de 2019 apontam cerca de 3,8% entre as brasileiras, frente a 34,1% que utilizavam pílula. O acesso no sistema público é limitado: apenas 19,7% das UBS realizam a inserção do dispositivo.
Benefícios e riscos na prática clínica
Além da contracepção, o DIU hormonal é usado para tratar sangramento uterino aumentado, reduzindo o espessamento do endométrio. Em contrapartida, pode não ser adequado para mulheres com histórico de câncer de mama, por possível efeito sistêmico. A decisão deve considerar objetivos da paciente, riscos individuais e orientação médica.
Como interpretar os números
Especialistas destacam que o risco relativo alto não implica necessariamente alto risco absoluto. Mesmo com estudos que mostram aumento, o ganho de informação deve vir acompanhado de mudanças no estilo de vida, como controle de peso, alimentação e prática de atividade física, para reduzir o risco global de câncer de mama.
Conexões com outros fatores
Além da idade, o histórico familiar de câncer de mama, o uso de álcool e a obesidade influenciam o risco. Estudos observacionais frequentemente não eliminam todos os fatores de confusão, o que reforça a necessidade de avaliação individual com o profissional de saúde.
Orientação clínica final
A recomendação é buscar orientação médica para avaliar benefícios e riscos do DIU hormonal, considerando histórico familiar, condições de saúde e preferências da paciente. A decisão deve partir de uma análise personalizada entre paciente e médico.
Entre na conversa da comunidade