- Em 2019, após o derramamento de petróleo, o Mapa precisava de um método oficial para detectar contaminantes petroquímicos em peixe e frutos do mar.
- Ana Paula Zapelini, com o coorientador Rodrigo Hoff, adaptou uma máquina de café expresso para extrair compostos tóxicos das amostras de pescado.
- O método foi validado com padrões do Brasil e da União Europeia, tornando-se o primeiro protocolo oficial do país para monitorar esses contaminantes.
- A técnica evoluiu para uma versão mais automatizada, hoje usada em laboratórios do próprio Ministério da Agricultura.
- A pesquisa rendeu prêmios como o Grande Prêmio CAPES de Tese e reconhecimentos na 25 Mulheres na Ciência, na Brazil Conference at Harvard & MIT e pelo MIT Innovators Under 35.
Ana Paula Zapelini adaptou uma cafeteira para detectar contaminantes no pescado, abrindo o primeiro método oficial de verificação de petrogênicos em peixes e frutos do mar no Brasil. O avanço ocorreu após o derramamento de petróleo em 2019, quando surgiram dúvidas sobre a contaminação dos alimentos.
A pesquisadora, formada em Ciência de Alimentos pela UFSC, atuou como voluntária no início da graduação e teve a orientação de Pedro Luiz Manique Barreto. A parceria durou quase uma década, moldando uma abordagem baseada em perguntas e experimentação.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Mapa, precisava de respostas rápidas diante do risco ambiental. Não havia métodos oficiais acessíveis para detectar compostos derivados do petróleo nos alimentos, o que motivou a solução.
Solução improvável
Em 2019, Ana Paula e o coorientador Rodrigo Hoff adaptaram uma máquina de café expresso para o laboratório. Pequenos pedaços de pescado eram colocados em cápsulas, e a máquina realizava a extração de contaminantes para análise posterior.
Os primeiros testes indicaram viabilidade do método. Com aperfeiçoamentos, o protocolo passou por validação conforme padrões brasileiros e da União Europeia, ganhando robustez para uso regulatório.
O resultado foi o estabelecimento do primeiro protocolo oficial do país para monitorar contaminantes petrogênicos no pescado. A equipe posteriormente desenvolveu uma técnica automatizada para laboratórios do próprio Mapa.
Essa conquista evidenciou o papel social da pesquisa, conectando ciência a produtores locais e ao consumidor final. A ideia era garantir segurança alimentar desde os pescadores até o consumidor.
Reconhecimento e desdobramentos
A tese de Ana Zapelini recebeu o Grande Prêmio CAPES de Tese em Ciência de Alimentos, tornando-a a primeira pesquisadora do campo a alcançar esse reconhecimento. Outros prêmios acompanharam a trajetória.
Entre eles, o programa 25 Mulheres na Ciência, da 3M, e a participação destacada na Brazil Conference at Harvard & MIT. O MIT Innovators Under 35 também destacou o trabalho da pesquisadora.
Ana enfatiza que os prêmios refletem um esforço coletivo, verificando que a ciência é construída por mentores, colegas e instituições. As dificuldades são parte do caminho, não impedem o avanço.
A pesquisadora destaca ainda os obstáculos enfrentados por mulheres na ciência, como a percepção de minorias em determinados espaços e a necessidade de provar competência constantemente.
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