- Estudo em zoológicos europeus comparou nove grupos de chimpanzés e treze de bonobos em dezesseis zoológicos, observando comportamentos como perseguição, socos, luta e mordidas.
- Não houve diferença nas taxas gerais de agressão nem na agressão de maior severidade entre chimpanzés e bonobos mantidos em cativeiro.
- Diferenças ocorreram a nível de espécie: chimpanzés machos foram mais agressivos que fêmeas; bonobos, machos e fêmeas apresentaram níveis de agressão semelhantes.
- A pesquisa reforça a ideia de que o padrão de agressividade se alinha à sociobiologia de cada espécie, com chimpanzés machos agressivos contra todos e bonobos agressivos principalmente contra outros machos.
- Os autores destacam que o estudo se refere a grupos únicos dentro de zoológicos e sugerem cautela ao extrapolar para intergrupos no meio natural.
Em estudo publicado na revista Science Advances, pesquisadores comparam comportamentos agressivos de chimpanzés e bonobos em ambientes de zoológico. A análise avaliou padrões de agressão entre grupos de chimpanzés e bonobos em 16 zoológicos europeus. O objetivo foi entender diferenças sob condições controladas.
A pesquisa envolveu nove grupos de chimpanzés e 13 grupos de bonobos, e observou comportamentos como perseguição, ataques, brigas e mordidas. O resultado não mostrou diferença significativa nas taxas gerais de agressão nem na agressão de maior severidade entre as espécies mantidas em cativeiro.
Diferenças foram observadas em quem pratica a agressão. Barões de chimpanzés machos demonstraram maior agressividade, enquanto bonobos, tanto machos quanto fêmeas, apresentaram níveis similares de conduta agressiva. Os resultados alinham-se à ecologia social observada em campo, com chimpanzés mais propensos a agir contra o grupo externo e bonobos exibindo agressão, em geral, direcionada a machos.
Segundo o pesquisador principal, o quadro sugere que a agressividade reflete a socioecologia de cada espécie, ainda que o ambiente de cativeiro possa influenciar demais fatores. Alguns grupos de zoológico mostraram padrões mais intensos de agressão, abrindo espaço para futuras análises sobre manejo e bem-estar.
Especialistas externos comentaram que os dados são valiosos para comparações sob condições controladas, mas destacaram a limitação de a pesquisa considerar apenas grupos isolados. A interpretação deve considerar que agressões entre grupos externos permanecem relevantes para entender diferenças entre chimpanzés e bonobos na natureza.
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