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Lado oculto da Lua e o interesse científico que desperta

Artemis II sobre o lado oculto da Lua expõe arquivo geológico antigo, enfrenta apagão de comunicações e aponta avanços para radiotelescópios e bases lunares

Fotografia do Lado oculto da Lua fotografado pela missão Apollo 16.
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  • A missão Artemis II da Nasa tem a tripulação a caminho da Terra e espera-se que aterrissem na costa da Califórnia nesta sexta-feira à noite.
  • Durante a viagem, os astronautas sobrevoaram o lado oculto da Lua, a face que não fica voltada para a Terra, que também recebe luz solar.
  • O lado oculto é mais irregular, com montanhas e crateras, e a crosta ali é mais espessa e antiga do que a do lado visível.
  • Uma das explicações para as diferenças envolve o aquecimento inicial da face voltada para a Terra; o lado oposto teria esfriado mais cedo, preservando crateras antigas, como as associadas aoLate Heavy Bombardment. O Mare Orientale é uma estrutura destacada, com cerca de 930 quilômetros de largura.
  • Cientistas veem o lado oculto como possível local para radiotelescópios, futuras bases lunares e exploração de recursos, como hélio-3; a China já avançou com as sondas Chang’e 4 e Chang’e 6 nesta área.

A missão Artemis II, da Nasa, segue rumo à Terra com os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion: Christina Koch, Victor Glover, Jeremy Hansen e Reid Wiseman. A aterrissagem está prevista na costa da Califórnia, nos EUA, nesta sexta-feira à noite. Durante o trajeto, o grupo sobrevoou o lado oculto da Lua, conforme Wiseman, comandante da missão, testemunhou perceber coisas inéditas para a humanidade.

O trajeto incluiu passagens pela região que fica voltada para o espaço sem ficar visível da Terra, não por estar sempre no escuro, mas por estar sempre virada de costas para o nosso planeta. A observação integra os objetivos oficiais da Artemis II, que busca entender a história da Lua e testar sistemas em voo profundo.

O lado oculto da Lua é mais irregular do que a face visível. Registra-se uma crosta mais espessa e antiga, com montanhas e crateras profundas. Registros históricos indicam que foi observado pela primeira vez em 1959, pela sonda Luna 3, da União Soviética.

A explicação científica para as diferenças envolve o início da formação lunar. A face voltada para a Terra teria permanecido quente por mais tempo, enquanto o outro hemisfério esfriou mais cedo, modelando uma crosta diferente. Esse contraste funciona como um arquivo geológico do satélite.

Entre as estruturas de destaque está o Mare Orientale, uma cratera de cerca de 930 quilômetros de diâmetro que intriga pesquisadores pela sua escala. Sondas robóticas já fotografaram o local, mas a presença de astronautas permite observação direta e registro in loco.

A missão Artemis II também revela aspectos operacionais relevantes. Ao ficar atrás da Lua durante aproximadamente 40 minutos, a nave perde contato com a Terra, exigindo funcionamento autônomo de sistemas e comandos previamente programados. O objetivo é testar a resiliência da nave.

Além de seu valor científico, o lado oculto é considerado potencialmente favorável à instalação de radiotelescópios que observem o cosmos sem interferência de emissões terrestres. A região é estudada como possível base lunar para futuras missões, inclusive rumo a Marte.

Interesses internacionais se concentram nessas regiões, com destaque para os avanços da China nas missões Chang’e. Em 2019, Chang’e 4 pousou no lado oculto; em 2024, Chang’e 6 trouxe amostras para a Terra, incluindo material da cratera South Pole–Aitken Basin, estimada em 4,2 bilhões de anos.

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