- A ariranha gigante foi listada pelo CMS como espécie migratória que exige ação urgente de conservação, na reunião de março de 2026, em Campo Grande, Brasil.
- A população da espécie caiu cerca de cinquenta por cento nos últimos 25 anos, e o alcance histórico é extinto no Uruguai e na Argentina, com status de ameaça crítica no Paraguai e no Equador e vulnerável no Brasil.
- Endêmica de grandes sistemas fluviais da América do Sul, a ariranha enfrenta perda de habitat, disputa por peixes, poluição, barragens e derramamento de mercúrio.
- O listing em ambos os anexos do CMS indica a necessidade de ações transnacionais e de um plano de ação conjunto, a ser aprovado na próxima Conferência das Partes, prevista para 2029 na Alemanha.
- O respaldo internacional incluiu França, Brasil e outras nações, com o Brasil sediando a reunião e ficando responsável por avançar a implementação das proteções.
Ao menos uma espécie de mamífero aquático brasileiro ganhou atenção internacional: o longevo jequitibá das águas, o ariranha gigante. Delegados da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (CMS) incluíram o animal entre os que demandam ação urgente de conservação, durante a reunião de março de 2026, em Campo Grande, Brasil. A decisão ocorreu diante de evidências de que a espécie enfrenta um estado cada vez mais precário.
O ariranha gigante (Pteronura brasiliensis) é nativa de sistemas fluviais tropicais da América do Sul. Seu alcance histórico se estendia desde o norte da Venezuela até a Argentina, ocupando cerca de 9,02 milhões de km². O Brasil abriga parte importante de seu habitat, especialmente no Pantanal e na Amazônia. O status atual é preocupante em vários países da região, com a espécie classificada como ameaçada pela IUCN desde 2021.
O documento de proposta, apresentado pela França, aponta queda de cerca de 50% da população nos últimos 25 anos e redução no tamanho das damas, indicando menor sobrevivência de filhotes. Projeções climáticas, como menor rainfall, indicam manutenção do declínio por décadas, a menos que haja intervenção.
Proteção e próximos passos
Enquanto a caça ilegal já não representa mais uma ameaça tão severa, o principal desafio envolve conflitos com comunidades pesqueiras, perda de habitat para include agricultura e urbanização, além de rios cada vez mais poluídos por mineração, mercúrio e sedimentos. A conectividade entre bacias hidrográficas também se revela crítica, uma vez que o animal realiza deslocamentos transfronteiriços quando as condições de água permitem.
A proposta da França colocou o ariranha gigante na lista de proteção da CMS, com apoio de países como Brasil, Peru, Bolívia, Panamá, Equador, Paraguai, União Europeia, Senegal e Venezuela. A inclusão ocorreu nos anexos I e II, que incentivam ações urgentes nacionais e cooperação entre países. O próximo passo é a elaboração de um plano de ação coordenado, a ser aprovado numa futura COP prevista para 2029, na Alemanha.
Pesquisadores ressaltam o papel do animal como sentinela da saúde dos rios: sua presença indica ecossistemas aquáticos saudáveis e a proteção da espécie pode beneficiar outras espécies dependentes dessas margens. Projetos de educação ambiental e convivência com comunidades locais têm sido priority, com iniciativas voltadas à promoção de turismo sustentável na região do Pantanal.
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