- O uso frequente de analgésicos para dor de cabeça pode virar enxaqueca crônica, aumentando a frequência e a intensidade das crises.
- O estudo Global Burden of Disease, publicado no The Lancet, aponta que, em 2023, 2,9 bilhões de pessoas tinham algum tipo de dor de cabeça, representando 34,6% da população.
- A mecânica envolve alterações no sistema de modulação da dor no cérebro, tornando as crises mais persistentes e elevando a dependência de medicação.
- Recomenda-se uso de analgésicos simples entre 10 e 15 dias por mês; para medicamentos específicos de enxaqueca, o ideal é menos de 10 dias mensais. Exceder isso aumenta o risco de cefaleia por uso excessivo de medicação.
- Pacientes com crises frequentes devem buscar avaliação médica e tratamento preventivo, com retirada gradual dos remédios e suporte multiprofissional para evitar evolução para formas crônicas.
O uso excessivo de analgésicos para tratar dores de cabeça pode transformar episódios esporádicos em enxaqueca crônica. A cefaleia por uso excessivo de medicação ocorre quando remédios para alívio imediato são usados com frequência, muitas vezes mais de três dias por semana.
O estudo Global Burden of Disease (GBD), publicado pelo The Lancet, analisou dados de 1990 a 2023 sobre enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia associada ao uso excessivo de medicamentos. Em 2023, 2,9 bilhões de pessoas viviam com algum tipo de dor de cabeça, correspondendo a 34,6% da população mundial.
A pesquisa aponta que, com o tempo, o cérebro fica mais sensível à dor, reduzindo a eficácia dos próprios analgésicos e elevando a frequência das crises. O fácil acesso a medicamentos sem prescrição é citado como fator que facilita o uso inadequado.
Quem está envolvido e onde
Especialistas consultados pela CNN destacam que a prática de usar remédios de crise com regularidade sinaliza risco de uso excessivo. O não acompanhamento médico aumenta a probabilidade de cronificação da dor e dependência de fármacos.
Entre as recomendações, está estabelecer limites de uso: analgésicos simples devem ser usados, no máximo, de 10 a 15 dias por mês, enquanto triptanos ou combinações analgésicas devem ficar abaixo de 10 dias mensais. Ultrapassar esses limites eleva o risco de cefaleia por uso excessivo.
Além do piora clínica, o uso frequente de analgésicos aumenta o risco de efeitos colaterais gastrointestinais, renais e cardiovasculares, conforme o tipo de medicamento e a duração do consumo.
O que fazer
Quem sofre com crises frequentes deve buscar avaliação médica para diagnóstico e estratégias preventivas. O acompanhamento profissional ajuda a evitar automedicação e a reduzir a probabilidade de evolução para formas crônicas.
Segundo especialistas, o tratamento varia conforme o grau da doença. A retirada gradual dos analgésicos costuma ser parte da abordagem, com apoio de uma equipe multiprofissional e, quando necessário, de suporte psicológico para lidar com sintomas de abstinência.
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