- A herpes congênita aumenta a permanência de bebês na UTI neonatal no SUS, segundo estudo do CEPPS/Einstein.
- O levantamento aponta que, mesmo com menos casos, a herpes responde por 32% da ocupação de leitos de UTI neonatal por infecções congênitas no SUS.
- O custo médio por tratamento é de US$ 444 por paciente, o maior entre as condições analisadas, quase três vezes superior à toxoplasmose congênita.
- A transmissão ocorre principalmente no parto, especialmente quando há lesões ativas no canal vaginal; o risco é maior na primeira gestação.
- Entre 2008 e 2024, o SUS registrou 194 mil internações de menores de 12 meses por doenças congênitas, com rubéola apresentando queda, enquanto as demais aumentaram.
O herpes congênito aumenta o tempo de permanência de bebês na UTI. Estudo do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS) do Einstein Hospital Israelita analisou internações por infecções congênitas no SUS entre 2008 e 2024 e revela atenção redobrada para a condição.
A investigação aponta que, embora a herpes tenha menos casos que sífilis ou toxoplasmose, ela representa 32% da ocupação de leitos de UTI neonatal por infecção congênita. O custo médio por paciente é de cerca de US$ 444, o maior entre as condições avaliadas.
O levantamento indica que a transmissão ocorre principalmente no parto, quando há lesões ativas no canal vaginal. Em casos de infecção materna pela primeira vez durante a gestação, o risco de contágio é maior, aumentando a gravidade nos recém-nascidos.
O que mudou na prática clínica
A herpes congênita pode afetar fígado, pulmões e pele, com sinais que variam conforme a área atingida. Lesões em bolhas na pele, febre, letargia, irritabilidade, dificuldades alimentares e icterícia são indicativos de alerta.
O diagnóstico precoce reduz risco de morte e sequelas. O diagnóstico envolve exame de sangue ou coleta de secreção das lesões. O tratamento exige internação de duas a três semanas com antivirais, devido à fragilidade do sistema imune do bebê.
A comparação com outras infecções congênitas mostra que a rubéola foi a única com queda de casos, eliminada a transmissão de mãe para filho a partir de 2010. Demais doenças apresentaram aumento significativo no período, com elevação de até 394%.
Desdobramentos e contexto regional
O estudo destaca que boa parte das internações ocorre fora do município de residência, pela falta de leitos de UTI neonatal. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, uma a cada três crianças é hospitalizada a mais de 100 km de casa.
Especialistas observam que o aumento das hospitalizações pode refletir tanto avanço no diagnóstico quanto maior incidência de doenças congênitas. A identificação precoce e o aprimoramento de políticas de saúde são apontados como caminhos para reduzir internações.
O pesquisador Eduardo Félix Santana ressalta a importância de revisar políticas públicas e melhorar a detecção e o cuidado materno-infantil, visando reduzir o impacto da herpes congênita na mortalidade e na carga hospitalar do SUS.
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