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Mundo depende de temporais extremos para água; ameaça lavouras e reservatórios

Estudo mostra que parte cada vez maior da água vem de temporais intensos, elevando insegurança hídrica, impactos na agricultura e infraestrutura urbana

Tempestade se forma sobre São Paulo: eventos extremos atingem cidades brasileiras vulneráveis à intensificação das chuvas provocada pelas mudanças climáticas.
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  • Estudo aponta que a água cada vez mais vem de tempestades intensas concentradas em poucos dias, em vez de chuvas leves ao longo do tempo.
  • Foi criado o Índice de Dependência de Precipitação Extrema (EPDI) para medir o quanto a chuva anual vem dos dias mais chuvosos.
  • Essa mudança deixa o ciclo hídrico mais instável, aumenta enchentes e secas intercaladas e reduz a infiltração no solo, afetando plantações.
  • Agriculturas de sequeiro são especialmente vulneráveis, com impactos maiores conforme o aquecimento global avança para 3 °C ou mais.
  • Regiões como Sahel, Sudeste Asiático, norte da Austrália e Amazônia devem registrar maior dependência de eventos extremos, com impactos em água, produção e infraestrutura.

O mundo depende cada vez mais de temporais extremos para ter água, o que ameaça lavouras, cidades e reservatórios. Estudo recente, publicado na Water Resources Research, aponta que a água chega ao solo cada vez mais vinda de tempestades intensas concentradas em poucos dias, em detrimento das chuvas leves distribuídas ao longo do tempo. O indicador criado pelos pesquisadores, o Índice de Dependência de Precipitação Extrema (EPDI), mede a parcela da chuva anual ocorrente nos 5% dias mais chuvosos.

À primeira leitura, o fenômeno pode soar positivo, mas o estudo explicita o contrário. Chuvas regulares infiltram no solo e abastecem lençóis freáticos; pancadas fortes escorrem rápido, gerando enchentes e períodos secos mais longos entre eventos. O resultado é um ciclo hídrico instável e maior vulnerabilidade a secas.

A pesquisa mostra que o aumento da intensidade dos poucos dias chuvosos pode reduzir a frequência de chuvas leves e moderadas. Com isso, a previsibilidade hídrica diminui, impactando a gestão pública de recursos e a segurança de abastecimento.

Áreas identificadas como críticas mostram maior crescimento dessa dependência: Sahel, Sudeste Asiático, norte da Austrália e a Amazônia. Em cenários de aquecimento de até 4 °C, a fração de chuva anual concentrada em eventos extremos pode subir entre 15% e 20%.

Para a agricultura, a mudança traz riscos severos principalmente para a agropecuária de sequeiro, típica de regiões de menor renda na África, Ásia e América do Sul. Com aquecimento entre 1,5 °C e 2 °C, algumas áreas devem enfrentar alterações; em 3 °C, mais da metade pode sofrer maior dependência de chuvas extremas.

Em cenários de 4 °C, quase toda a agricultura de sequeiro poderia ser afetada. Cientistas destacam que temporais intensos reduzem produtividade, compactam o solo e aceleram a erosão, além de desorganizar calendários agrícolas.

Os impactos se estendem à infraestrutura urbana e aos sistemas de gestão de água. Reservatórios costumam priorizar o controle de enchentes, mas eventos mais intensos podem comprometer essas estratégias. Alagamentos e danos à infraestrutura ganham frequência.

Entre os impactos indiretos, o déficit hídrico entre chuvas intensas afeta o abastecimento humano e a geração de energia. A distribuição irregular da água também eleva custos de operação e planejamento urbano.

O estudo alerta que médias anuais de precipitação deixam de ser suficientes para avaliar o risco climático. Distribuição temporal da chuva é essencial para entender impactos em ecossistemas, agricultura e infraestrutura, segundo os autores.

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