- A pílula do dia seguinte é o segundo método contraceptivo mais utilizado entre adolescentes, segundo a Pesquisa Pense (2024), divulgada pelo Ministério da Saúde.
- O método é indicado para uso eventual em falhas de outros métodos, abusos sexuais ou situações de gravidez indesejada, dificultando a fecundação por alterar o muco cervical, inibir ou postergar a ovulação.
- Motivos para tanta adoção incluem falhas de métodos comuns, sexo não planejado e acesso fácil, sem necessidade de prescrição, muitas vezes informado por amigos, profissionais de saúde ou familiares.
- Em relação aos efeitos, a maioria não apresenta complicações graves; cerca de 10% a 15% podem sentir desconfortos autolimitados, devendo evitar álcool para não piorar vômitos.
- Observa-se queda nas taxas de fecundidade entre jovens no Brasil; especialistas destacam a importância de orientar sobre o uso regular de métodos contraceptivos e protocolos para violência sexual, incluindo apoio médico e PEP quando cabível.
A pesquisa Pense de 2024, divulgada pelo Ministério da Saúde, aponta que a contracepção de emergência, popularmente chamada pílula do dia seguinte, é o segundo método mais utilizado por adolescentes para prevenir gravidez. O levantamento revela hábitos sexuais e de saúde reprodutiva nessa faixa etária.
Especialistas destacam que a pílula do dia seguinte deve ser usada apenas em situações específicas, como falha de método ou violência sexual, e não como método contínuo. O objetivo é evitar a gravidez indesejada em ocasiões pontuais.
Ponto de partida para entender o uso frequente é o acesso descomplicado à CE, sem necessidade de prescrição, aliado ao planejamento reprodutivo entre jovens. A facilidade de obtenção pode influenciar a escolha pelo recurso emergencial.
Como funciona e quais são os benefícios
A CE atua dificultando a fecundação, alterando o muco cervical e atrasando ou impedindo a ovulação. Quando utilizada no tempo certo, também reduz a possibilidade de gravidez após relação desprotegida.
Entre as explicações para o uso frequente entre adolescentes, estão falhas em métodos regulares, relações não planejadas e acesso facilitado sem necessidade de orientação médica. O diálogo entre saúde e família é citado como fator de influência.
A professora Cristiane Cabral enfatiza que o uso frequente pode ser visto como sinal de preocupação com a prevenção. Ela aponta que evitar gravidez indesejada é positivo, mas reforça a necessidade de orientação para práticas contraceptivas contínuas.
Efeitos e cuidados após o uso
Os efeitos colaterais da CE costumam ser moderados e autolimitados, variando entre 10% e 15% dos usuáris. O consumo pode provocar mal-estar leve, principalmente se houver ingestão de álcool na mesma ocasião.
Para evitar desconfortos, recomenda-se evitar álcool próximo ao uso e buscar orientação de um serviço de saúde para integrar modalidades de proteção de forma regular. Em casos de violência sexual, existem protocolos de atendimento que vão além da CE.
Gravidez na adolescência e o papel da CE
Dados de Faisal indicam alta proporção de gestações não planejadas entre adolescentes e, em alguns estudos, até 80% a 85%. A CE surge no cenário para prevenir gravidez indesejada nesses casos, evitando cenários de aborto clandestino ou maternidade não planejada.
Cristiane Cabral ressalta o declínio recente das taxas de fecundidade entre 15 e 19 anos e destaca que os resultados da Pense ajudam a entender o papel da CE no controle reprodutivo. Ela aponta necessidade de acompanhar a evolução com fontes oficiais, como a PNDS.
Fonte: IBGE. A coordenação é acompanhada por Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira.
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