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Desmatamento afeta produção de cocares, dizem indígenas

Indígenas alertam que desmatamento e grilagem reduzem aves, comprometendo a produção de cocares e a preservação de sua identidade cultural

Ontxa Mehinako fala sobre artesanato indígena no Acampamento Terra Livre 2026.
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  • O Acampamento Terra Livre, em Brasília, encerrou neste sábado (11) com indígenas chamando atenção para desmatamento que reduz o número de aves no céu e impacta a produção de cocares.
  • Artesãos usam penas de aves como maritaca e arara para fazer cocares; a diminuição de aves é atribuída a desmatamento, queimadas e agrotóxicos usados por invasores.
  • Tapurumã Pataxó, 32 anos, diz ter aprendido a arte na infância e lamenta que o território seja desmatado desde 1500, afetando também o ecossistema.
  • Ahnã Pataxó, 45, relata que já busca penas no zoológico devido à escassez de animais na natureza, e enfatiza a necessidade de mais consciência ambiental.
  • O cocar é apresentado como símbolo de identidade e resistência do povo, com ressalva de respeito à simbologia pelos não-indígenas.

Com o Acampamento Terra Livre chegando ao fim neste sábado (11), em Brasília (DF), indígenas relatam que o desmatamento, queimadas e uso de agrotóxicos por invasores não-indígenas têm reduzido o número de aves, impactando a produção de cocares feitos com penas de maritaca e arara. A prática artesanal depende da disponibilidade de penas que caem naturalmente dos animais.

O artesão Tapurumã Pataxó, de 32 anos, que vive na Aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA), afirma que a escassez de aves compromete a confecção dos cocares. Ele aponta que a redução de pássaros está ligada a invasões de grileiros e aos danos ambientais provocados por queimadas criminosas.

Tapurumã relembra o aprendizado com os avós e ressalta que o cocar é um símbolo de identidade e resistência do povo. O artesão critica a compra de cocares por não-indígenas, defendendo que esses objetos devem permanecer em espaços de proteção e respeito à cultura.

Outra artesã pataxó, Ahnã, de 45 anos, também em Porto Seguro, observa que quem trabalha com penas precisa, às vezes, recorrer a zoológicos para obter material. Ela lamenta a pouca presença de aves na floresta, citando espécies como gavião real, arara e papagaio como cada vez mais raras.

Segundo Ahnã, as atividades desenvolvidas durante encontros como o ATL também servem para a troca de penas entre artesãos, levando em conta que algumas espécies se adaptam menos aos impactos ambientais. Ela ressalta a importância de ações de conscientização ambiental.

O impacto ambiental é também percebido pelo artesão Keno Fulni-ô, de 40 anos, que vive perto de Águas Belas (PE). Ele diz que aves como gavião, caracará, garça e anu continuam presentes, mas com mudanças no comportamento devido às mudanças climáticas.

Acompanham a narrativa as histórias de Aalôa, 21 anos, de Águas Belas, que aprendeu a confeccionar cocares aos 14. Ele costura penas de papagaio, afirma que o processo é rápido e que o trabalho ajuda a aliviar o estresse, mantendo a comunidade como voz coletiva do povo.

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