- Entre 2013 e 2023, as internações por lesões autoprovocadas aumentaram 44,3% no Brasil, e as mortes associadas subiram 26,3%, totalizando 18.382 internações e 261 óbitos.
- Adolescentes de 15 a 19 anos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, foram os mais atingidos; as internações ocorreram mais entre mulheres, enquanto as mortes ocorreram com maior frequência entre meninos.
- Pretos e pardos lideraram tanto internações quanto mortes, com fatores como desigualdade, violência e acesso limitado a direitos ligados ao sofrimento mental.
- O ano de 2020 teve queda aparente, causado pela subnotificação durante a pandemia; ainda assim, as mortes daquele ano sugerem casos mais graves de autolesão.
- Sinais de risco incluem mudanças de humor, isolamento, queda no rendimento escolar e aumento do tempo em telas; busca por ajuda profissional é indicada quando o sofrimento se torna evidente ou mais grave.
O Brasil registrou aumento significativo nas internações por lesões autoprovocadas entre 2013 e 2023, segundo estudo publicado em março nos Cadernos de Saúde Pública. As divergências entre internações e óbitos indicam evolução preocupante no diagnóstico e no acolhimento de jovens em sofrimento.
A pesquisa, realizada por pesquisadores da UFBA e da UFSB, analisou dados do Sistema de Informações Hospitalares, principalmente do SUS. Houve alta de 44,3% nas internações e 26,3% no registro de mortes associadas a mutilação e tentativas de suicídio nesse período. No total, foram 18.382 internações e 261 óbitos.
A autora correspondente do artigo, Gabriela Garcia de Carvalho Laguna, destaca que comportamentos autolesivos refletem sofrimento emocional complexo e múltiplas causas. A análise aponta fatores como negligência, violência, conflitos familiares e transtornos mentais como contribuintes para o quadro observado.
A cartilha do Ministério da Saúde sobre prevenção aponta vulnerabilidades como exposição à violência, uso de álcool e drogas, sono inadequado e preconceito. Crianças e adolescentes enfrentam ainda pressões associadas à internet, redes sociais e bullying, que podem agravar o risco.
O estudo aponta que adolescentes de 15 a 19 anos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, foram os mais atingidos. Internações foram mais frequentes entre mulheres, enquanto óbitos ocorreram com maior frequência entre meninos. Pretos e pardos lideraram internos e óbitos.
Sinais de risco incluem alterações de humor, isolamento, queda de desempenho escolar e uso excessivo de telas. Pais, escolas e profissionais de saúde são encorajados a manter canais de comunicação abertos e buscar avaliação profissional quando a vulnerabilidade é identificada.
Especialistas ressaltam a necessidade de políticas públicas focadas na atenção primária, com capacitação de profissionais, suporte médico e psicológico, e ações intersetoriais envolvendo escolas, ONGs e instituições privadas. A prevenção é apontada como chave para reduzir internações e melhorar a qualidade de vida dos jovens.
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