- Pesquisadores identificaram o glider de cauda de anel como a espécie Tous ayamaruensis, encontrada na Península da Cabeça do Pássaro, em Papua ocidental, Indonésia, após fotos de 2015 e relatos de anciãos locais.
- A descoberta, associada a conhecimento de comunidades Maybrat e Tambrauw, mostra que o animal ainda existe em florestas da região, apesar de avaliações anteriores terem sugerido extinção há cerca de seis mil anos.
- O estudo, liderado por Tim Flannery e Rika Korain, foi lançado na revista Records of the Australian Museum e propõe Tous como novo gênero entre marsupiais, devido às diferenças em relação a espécies próximas.
- O trabalho também destaca a descoberta de outra espécie considerada extinta: o megadinho-dos-dedos longos (Dactylonax kambuayai), fotografado em 2023.
- A pesquisa ressalta a importância da combinação entre sabedoria indígena e métodos científicos para conservar espécies, defender territórios tradicionais e enfrentar ameaças como desmatamento e expansão de plantações.
O que parecia ser uma foto de um animal difuso, capturado em 2015 na Península de Bird’s Head, em Papua Ocidental, ganhou novas leituras. Os relatos sugeriam um marsupial alado de hábitos florestais, conhecido apenas por fragmentos fósseis. A diligência das comunidades indicou outra possibilidade.
Em 2023, a advogada Rika Korain, de ascendência Maybrat, conectou Tim Flannery, mamalogista australiano, à busca. A ideia era confirmar se o animal ainda existia entre Tha Tambrauw e Maybrat, próximos a Sorong, na Indonésia.
Diálogo com os anciões
Korain reuniu dois anciãos Tambrauw, Barnabas Baru e Carlos Yesnat. Eles confirmaram o conhecimento do glíder da nossa fauna em florestas locais e mencionaram que a espécie já foi mais comum, antes do desmatamento próximo à cidade.
As fotos de 2015, somadas às falas dos anciãos, embasaram a ideia de que o ring-tailed glider ainda vive nas florestas da Península de Bird’s Head, desmentindo a conclusão de extinção há cerca de 6 mil anos.
Publicação e nomenclatura
Flannery, Korain e colegas descrevem os achados no Journal Records of the Australian Museum. A espécie recebe o nome Tous ayamaruensis, inspirado pelo Maybrat e pelo Tambrauw. O estudo sugere ainda a criação de um novo gênero entre marsupiais.
No mesmo número, Flannery lidera relatório sobre o provável extinto pygmy long-fingered possum (Dactylonax kambuayai), ampliando o mosaico de lacunas preenchidas pela colaboração entre ciência e conhecimento tradicional.
Perspectiva indígena e conservação
A abordagem integrada entre saberes tradicionais e científica é destacada pelos autores. Flannery associa o sucesso à relação de décadas com lideranças locais, reconhecendo o valor do consenso com comunidades indígenas para a conservação.
Especialistas ressaltam que a região do Bird’s Head enfrenta riscos de logging e desenvolvimento, que ameaçam habitats. O envolvimento das comunidades é visto como essencial para a proteção de espécies e territórios.
Impacto cultural e futuro
Os anciãos descrevem o animal como parte central de iniciações e cosmologia, o que levou a uma postura de proteção cultural. A harmonia entre tradições locais e políticas de conservação pode orientar ações futuras.
Kobak, da YAPPENDA, reforça a ideia de que proteger a floresta depende da participação contínua das pessoas que vivem nela. A relação de confiança facilita a pesquisa e a proteção de espécies únicas.
Entre na conversa da comunidade