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Estudo com 11 mil aves marinhas mapeia áreas de mercúrio nos oceanos

Aves marinhas usadas como sensores biológicos revelam concentração de mercúrio nos oceanos, com picos no Atlântico Norte e Pacífico Norte e implicações para monitoramento

Fotografia de um grupo de pinguins saindo da água.
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  • Estudo liderado pela Universidade de Nagoya analisou o sangue de 11.215 aves marinhas de 108 espécies, entre 2017 e 2024, para mapear mercúrio nos Oceanos.
  • As concentrações mais altas ficaram no Atlântico Norte e no Pacífico Norte; as mais baixas, no Atlântico Sul e nas águas em torno da Antártida.
  • A abordagem usa aves como sensores biológicos para acompanhar a poluição, complementando modelos que se baseiam principalmente em medições da água do mar.
  • A partir de 106 estudos publicados entre 1980 e 2025, ficou claro que predadores de topo e espécies maiores tendem a acumular mais mercúrio; animais capturados entre 200 e 1.000 metros de profundidade também apresentam níveis mais elevados.
  • Os resultados indicam que as aves podem ajudar a monitorar a eficácia de políticas globais, como a Convenção de Minamata, ao fornecer visão indireta da contaminação em oceanos remotos.

O estudo utilizou aves marinhas como sensores biológicos para mapear a distribuição do mercúrio nos oceanos. Foram analisados sangue de 11.215 aves, de 108 espécies, coletadas entre 2017 e 2024. A pesquisa aponta áreas com maior concentração do metal e áreas com menores níveis.

A liderança ficou a cargo de pesquisadores da Universidade de Nagoya, no Japão, e o trabalho foi publicado na revista Science of the Total Environment. A abordagem visa monitorar regiões remotas, onde medições diretas são pouco comuns.

As aves percorrem grandes trechos oceânicos em busca de alimento e retornam a colônias para reprodução, permitindo a coleta de amostras. O estudo também revisou 106 trabalhos anteriores que englobavam mais de 10.500 indivíduos.

Metodologia e escopo

Os dados combinaram amostras de sangue coletadas em colônias no Japão, no Alasca e na Nova Zelândia com a revisão de estudos publicados entre 1980 e 2025. A integração de fontes permitiu estimar a distribuição do mercúrio nos oceanos.

O objetivo é observar como o mercúrio chega à cadeia alimentar marinha e se acumula em predadores de alto nível. O processo envolve transformações químicas no ambiente marinho e transferência entre organismos.

Principais resultados

As concentrações de mercúrio mais altas apareceram no Atlântico Norte e no Pacífico Norte, regiões ligadas à América do Norte, Europa e leste da Ásia. Áreas ao sul do Atlântico e próximos à Antártida apresentaram níveis mais baixos.

Essa configuração não significa ausência de poluição, mas indica menor bioacumulação ao longo da cadeia alimentar nessas zonas. O estudo reforça a utilidade de aves marinhas como indicador da contaminação.

Implicações e perspectivas

A comparação com modelos tradicionais revelou divergências: as estimativas baseadas em sangue de aves não coincidiam plenamente com as previsões das simulações. A equipe aponta que as aves refletem a entrada real de mercúrio na cadeia alimentar.

Os autores destacam que a abordagem pode auxiliar a avaliação de políticas internacionais, como a Convenção de Minamata, ao monitorar áreas de difícil acesso. A ideia é usar o oceano como uma grande rede de observação natural.

Considerações finais

Entre os padrões observados, espécies maiores e com dietas que incluem presas predadoras apresentaram maiores níveis de mercúrio. Também houve relação entre profundidade das presas (200 a 1.000 metros) e a concentração do metal.

A pesquisa reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de dados em tempo real para embasar decisões ambientais. O método baseado em aves marinhas oferece uma visão direta da transferência de mercúrio na cadeia alimentar oceânica.

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