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Mosquito da malária evolui e supera resistência a inseticidas

Mosquito da malária evolui resistência a inseticidas, aponta estudo internacional com participação da USP, destacando vigilância regional e políticas conjuntas

Mosquitos que nascem com “armadura” química natural contra inseticidas sobrevivem e geram descendentes igualmente resistentes, tornando o controle da malária muito mais complexo - Foto: Dunpharlain / wikimedia commons.
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  • Estudo publicado na revista Science sequenciou os genomas completos de 1.094 fêmeas de Anopheles darlingi coletadas em 16 localidades na Guiana Francesa, Brasil, Guiana, Peru, Venezuela e Colômbia, evidenciando evolução do mosquito frente a medidas de controle com inseticidas.
  • A resistência está associada à seleção genética em genes do citocromo P450, que ajudam a metabolizar e neutralizar inseticidas, fortalecendo a sobrevivência do vetor.
  • No Brasil, a professora Maria Anice Mureb Sallum, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, coordenou a participação nacional, incluindo delineamento científico, coleta, análise de dados e conformidade regulatória sob o Tratado de Nagoya.
  • A colaboração envolveu instituições internacionais como Harvard T.H. Chan School of Public Health, Broad Institute e Wadsworth Center, com o Nagoya Treaty assegurando acesso a recursos genéticos entre países.
  • Os resultados apontam que o combate à malária exige vigilância entomológica qualificada e estratégias de uso de inseticidas baseadas em evidências locais, com políticas públicas regionais para diagnóstico e controle de vetores.

Um consórcio internacional de pesquisadores, com participação da Faculdade de Saúde Pública da USP, publicou um estudo na Science sobre o mosquito Anopheles darlingi. Foram sequenciados os genomas de 1.094 fêmeas coletadas em 16 localidades da região amazônica e vizinhanças, abrangendo Brasil, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Venezuela. A pesquisa aponta evolução por seleção genética associada ao uso de inseticidas.

A coordenação brasileira ficou a cargo da professora Maria Anice Mureb Sallum, da FSP, que acompanhou o delineamento científico, a coleta de dados e a conformidade regulatória com normas da USP e do Tratado de Nagoya. A participação envolveu instituições dos EUA e de outros países, incluindo Harvard, Broad Institute e Wadsworth Center.

Contexto e método

O estudo analisa sinais de seleção em genes do citocromo P450, ligados à resistência metabólica. Enzimas dessas proteínas neutralizam inseticidas antes de atingirem o sistema nervoso do mosquito, favorecendo a sobrevivência de variantes resistentes.

Essa resistência genética implica que estratégias de combate à malária devem considerar a mobilidade de vetores e genes entre fronteiras. A pesquisadora destaca a necessidade de políticas regionais coordenadas para diagnósticos e controle de vetores.

Implicações para políticas públicas

Os resultados sugerem que o Plano de Eliminação da Malária no Brasil exige vigilância entomológica avançada e baseada em evidências locais. O objetivo é usar inseticidas de forma estratégica, com avaliação contínua de eficácia para manter avanços no controle da doença.

Maria Anice Sallum reforça que a cooperação internacional fortalece a ciência brasileira e a capacidade de enfrentar desafios epidemiológicos. A parceria combina conhecimento local com plataformas de análise genômica de centros internacionais.

Essa linha de pesquisa evidencia que o controle da malária requer abordagens integradas, conectando vigilância, ecologia de vetores e genética de populações. O estudo completo está disponível na Science, com detalhes sobre as amostras e análises realizadas.

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