- Mais de um milhão de aves vivas foram exportadas da África para Singapura e Hong Kong entre 2006 e 2020, com Singapura respondendo por quase três quartos dessas importações.
- Canários africanos, especialmente as espécies amarelo-fronteiro (Crithagra mozambica) e froster branco (Crithagra leucopygia), responderam por 84% das importações africanas para Hong Kong entre 2015 e 2020.
- A África foi a principal base de exportação, correspondendo a cerca de sessenta e cinco por cento das aves, com Mali, Guiné, Tanzânia e Moçambique entre os principais fornecedores.
- O estudo utilizou dados da Comtrade da ONU para medir o comércio de aves vivas, destacando riscos à biodiversidade, à saúde pública (influenza aviária, circovírus) e à potencial invasão de espécies.
- Os pesquisadores sugerem regulamentação mais rígida, medidas de quarentena, cadastro de animais mantidos e, em alguns casos, a adoção de listas positivas para permitir apenas espécies criadas em cativeiro.
Mais de 1 milhão de aves foram exportadas de África para Hong Kong e Singapura entre 2006 e 2020, segundo estudo de pesquisadores liderados por Rowan Martin. A maior parte dessas aves chegou a Singapura, hub da fauna tropical na Asia. Hong Kong recebeu grande parte dos exemplares importados a partir de 2015.
Entre as espécies, os canários africanos destacaram-se. Dois grupos-chave — canário-de-branco e canário-de-rabo-branco — responderam por 84% das importações vindas da África entre 2015 e 2020. A pesquisa aponta que o comércio é volátil, acompanhando demanda e regulações.
A África aparece como principal polo exportador, com 65% das aves vindo da natureza. Mali, Guiné, Tanzânia e Moçambique lideram as exportações. A falta de regulamentação facilita a circulação de aves sem origem clara e com documentação potencialmente fraudada.
O estudo também revela que, no passado, Ghana removou 114 espécies da Lista III do CITES, impactando o monitoramento de exports legais. Essa delistagem tornou o comércio mais difícil de acompanhar e verificou-se que ele continuou, apenas de forma menos visível.
Em relação aos impactos, especialistas destacam riscos para a biodiversidade africana, com várias espécies em declínio na natureza. Além disso, o transporte em condições precárias favorece a disseminação de doenças entre aves cativas e silvestres.
A presença de mercados de aves vivas em áreas abertas aumenta a chance de zoonoses, como circovírus e gripe aviária. A organização liderada por Martin aponta que a biosegurança é insuficiente e que o lançamento de aves não nativas pode introduzir espécies invasoras.
Para reduzir impactos, os autores sugerem reforçar políticas de exportação, exigir aquisição legal de aves e ampliar quarentenas em países importadores. Estratégias de lista positiva de espécies permitidas podem ajudar a manter o comércio sob controle.
O estudo ressalta ainda que plataformas online ampliam o alcance do comércio. Vendedores utilizam redes sociais para conectividade entre exportadores da África e compradores na Ásia, Europa e Oriente Médio.
Em suma, o documento mostra a escala do comércio de aves vivas entre África e hubs asiáticos nos últimos 15 anos, evidenciando necessidades de regulação mais rígida, monitoramento robusto e medidas de biossegurança para evitar impactos na biodiversidade e na saúde pública.
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