- Cientistas analisaram dados topográficos obtidos pela sonda Mars Global Surveyor, da Nasa, para identificar contornos de um possível oceano antigo no hemisfério norte de Marte.
- O estudo sugere a presença de uma plataforma costeira, semelhante à plataforma continental da Terra, formada pela deposição de sedimentos ao longo de milhões de anos.
- A hipótese aponta que o oceano marciano existiu há cerca de 3,7 bilhões de anos, quando o planeta tinha um ciclo hidrológico mais ativo, e pode ter secado desde então.
- Observações incluem uma faixa de contornos oceânicos e evidências de antigos deltas de rios; dados de radar do rover Zhurong também indicaram praias enterradas.
- Se confirmado, o oceano antigo indicaria maior habitabilidade histórica de Marte, com água presente em grande parte da superfície ao longo de milhões de anos.
Há evidências de um oceano antigo em Marte, que pode ter existido há bilhões de anos na região norte do planeta. Pesquisadores estudaram o relevo marciano para identificar a possível plataforma costeira que delimitaria esse corpo de água antigo.
A análise foi realizada a partir de dados topográficos obtidos pelo Mars Global Surveyor, a sonda da NASA que orbitou Marte por cerca de uma década. Os pesquisadores descrevem uma faixa de contornos que lembra um anel de banheira ao redor de áreas baixas do norte.
Os cientistas destacam que Marte não tem continentes nem tectônica de placas, o que difere da Terra. Por isso, chamam as formações de plataforma costeira, definindo limites de uma possível antiga linha de costa.
O que levou à hipótese
O estudo associa o possível oceano a um ciclo hidrológico ativo no passado marciano, com rios e lagos que teriam existido até cerca de 3,7 bilhões de anos atrás. A acumulação de sedimentos pode ter formado a plataforma costeira conforme o nível do mar variava.
Além de o anel de banheira indicar limites de água, há indícios de depósitos sedimentares e estruturas que lembram camadas e superfícies inclinadas geradas por ondas e correntes. Essas características aparecem na mesma região estudada.
A pesquisa também recalca que a origem do oceano, se houve, permanece amplamente debatida. Contudo, as evidências apontam para uma plataforma costeira que persistiu por milhões de anos.
Contexto científico
Outras evidências corroboram a hipótese, incluindo estudos anteriores que identificaram uma linha costeira antiga em Marte. Dados de radar de penetração do solo, coletados por missões internacionais, indicam praias enterradas sob o subsolo.
Cientistas destacam que, se confirmada, a existência de um oceano no norte marciano implica uma época mais estável de água líquida do que hoje. Esse cenário ampliaria a percepção sobre a habitabilidade antiga do planeta.
O estudo também observa que, mesmo com a possível presença oceânica, Marte passou por extensa vulcanismo e erosão eólica ao longo de bilhões de anos, o que complica a interpretação das formações.
Implicações
Caso a hipótese se confirme, Marte pode ter apresentado um ambiente mais favorável à vida antiga do que se supõe. A presença de água está entre os critérios-chave para a habitabilidade de um mundo.
Os pesquisadores ressaltam que a descoberta não confirma vida antiga, mas sugere que áreas do planeta experimentaram condições de água estável e ampliam o quadro sobre a história geológica marciana.
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