- O chorume é o líquido tóxico gerado pela decomposição de resíduos em aterros e lixões, capaz de contaminar solo e recursos hídricos e, assim, comprometer o abastecimento de água.
- Em aterros sanitários ele é drenado para lagoas de chorume e encaminhado para tratamento; em lixões, pode infiltrar no solo e alcançar o lençol freático.
- A quantidade e a composição do chorume variam conforme tipo de resíduo, clima, formato do aterro e cobertura, e ele pode conter compostos orgânicos, nitrogênio amoniacal e metais pesados.
- No Brasil, ainda existem cerca de três mil lixões ativos, e a gestão de resíduos enfrenta desafios de financiamento, infraestrutura e tratamento adequado.
- Os tratamentos vão desde biológicos e físico‑químicos até tecnologias de membranas; em aterros menores, lagoas de estabilização são comuns, com necessidade de gestão integrada e investimentos.
O chorume é o líquido escuro formado pela decomposição de resíduos em aterros e lixões. Ele pode contaminar solo e recursos hídricos, comprometendo o abastecimento de água para consumo humano. Em muitos locais, o chorume não recebe tratamento adequado.
Diariamente, milhares de toneladas de resíduos vão para aterros ou lixões no Brasil. Em áreas com gestão deficiente, o chorume infiltra no solo, atingindo lençóis freáticos e causando riscos à saúde pública. A gravidade depende do tipo de resíduo e das condições climáticas.
A composição do chorume varia conforme o aterro, o formato e a cobertura. Compostos orgânicos, nitrogênio amoniacal e cloretos são comuns; metais pesados aparecem em menores concentrações, mas podem estar presentes. A concentração depende do resíduos disposto.
A contaminação de água pode reduzir o oxigênio de cursos d’água e provocar eutrofização, com proliferação de algas. Em água contaminada, há risco à saúde pública, incluindo diarreias e gastroenterites, além de possíveis efeitos endócrinos e nervosos.
Chuva, temperatura, manejo do aterro e o tempo de vida do local influenciam o volume e a composição do chorume. Áreas próximas a lixões e aterros permanecerão expostas a esses riscos por décadas, mesmo após encerramento.
Tratamento do chorume
Não existe uma solução única. Processos biológicos, físico-químicos e de membrana podem ser usados para tratar o chorume, com flexibilidade operacional para acompanhar variações de volume e composição.
No Brasil, o tratamento biológico é o mais comum por custo, mas nem sempre atende aos padrões legais. Muitas usinas combinam etapas biológicas com processos físico-químicos para cumprir normas ambientais.
Tratamentos avançados por membranas, como nanofiltração e osmose inversa, ganham espaço em grandes aterros urbanos, atendendo a requisitos mais restritos. Em municípios rurais, lagoas de estabilização ainda são bastante utilizadas.
Alguns aterros de pequeno porte recorrem à recirculação no maciço ou ao envio do chorume para estações externas de tratamento. Essas práticas visam reduzir o volume e estabilizar resíduos, diminuindo riscos de vazamentos.
Desafios no contexto brasileiro
A Lei 12.305/2010 estabelece diretrizes para resíduos sólidos, mas avanços são insuficientes. Não houve erradicação de lixões conforme metas previstas, e o Novo Marco Legal do Saneamento não cumpriu prazos para eliminação até 2024.
Estimativas da Abrema apontam cerca de 3 mil lixões ativos no país. Mesmo após desativação, vazamentos e contaminação persistem em áreas próximas, com impactos ambientais e à saúde.
A infraestrutura de tratamento é frequentemente subdimensionada ou sobrecarregada em períodos de chuva. A falta de investimentos limita a adoção de tecnologías mais modernas, principalmente em áreas rurais e pequenas cidades.
Dificuldades financeiras também desafiam a implementação de soluções avançadas. Falta de monitoramento contínuo agrava os riscos de contaminação de água potável e de áreas vizinhas aos complexos de resíduos.
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