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Drones ajudam conservação de dugongos ante crescentes ameaças

Drones ajudam a mapear dugongos e a saúde de pradarias de seagrass, evidenciando vulnerabilidade global e o papel dessas meadows na captura de carbono

A dugong munches seagrass near Marsa Alam, Egypt. Image by Julien Willem via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
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  • Drones estão oferecendo novas informações sobre populações de dugongos e sobre as pradarias de aiós, que armazenam grande parte do carbono marinho.
  • A caça de dugongos diminuiu em várias áreas, mas as ameaças contemporâneas, como mudanças climáticas e desenvolvimento costeiro, têm aumentado o risco de extinção.
  • A maior concentração de dugongos fica na Austrália (aproximadamente 166 mil animais), com hotspots no Golfo Árabe, Mar Vermelho, Indonésia e cerca de 300 animais na costa de Moçambique, África.
  • Pesquisadores usam drones e inteligência artificial para estimar números, detectar áreas de alimentação e realizar checagens de saúde sem métodos invasivos.
  • Dugongos dependem diretamente das pradarias de aiós, que também são importantes sumidouros de carbono; a proteção dessas meadows beneficia ecossistemas marinhos e comunidades costeiras.

Drones ganham espaço na conservação dos dugongos, ao mesmo tempo em que revelam o papel crucial desses herbívoros na gestão de pradarias de ervas marinhas, um dos maiores sumidouros de carbono do oceano. Os dugongos, conhecidos como vacas-marinhas, vivem em águas rasas de costas da região Indo-Pacífico e se alimentam quase que exclusivamente de seagrass.

Um relatório conjunto da CMS, publicado em agosto de 2025, indica que a distribuição populacional de dugongos é extremamente desigual. O estudo, considerado a atualização global mais abrangente em mais de duas décadas, aponta áreas de alta concentração e outras de queda acentuada.

Segundo o texto, a maior população está na Austrália, com cerca de 166 mil dugongos em águas costeiras. Outros hotspots aparecem no Golfo Árabe, no Mar Vermelho e na Indonésia; Mozambique abriga cerca de 300 dugongos, sua última posição de refúgio na África.

A IUCN classifica a espécie como vulnerável globalmente há mais de 40 anos. Em alguns territórios, como Nova Caledônia e as Ilhas Nasei, no Japão, o dugongo é listado como ameaçado. Em 2022, houve registro de extinção funcional da espécie na China.

A pesquisadora Helene Marsh, da James Cook University, explica que a maior parte da área de distribuição nunca foi devidamente monitorada. Assim, os números reais podem ser bem maiores do que indicam os atuais levantamentos.

Drones ajudam a mapear populações

Drones substituem métodos tradicionais de levantamento, que dependem de observação humana a partir de aeronaves. Dados de áreas como o Golfo Pérsico mostram cardumes de até 1.200 dugongos, e imagens de Tamil Nadu, na Índia, indicaram mais de 200 indivíduos em uma reserva criada para a espécie.

Marsh destaca o uso combinado de IA para processar imagens e estimar populações com maior precisão. Além disso, as aeronaves ajudam a detectar plumas de sedimento que indicam zonas de alimentação. Correções de processamento de imagem compensam águas turvas.

Laura Mannocci, do MARBEC, afirma que a tecnologia facilita localizar populações pouco estudadas, inclusive em países em desenvolvimento. Projetos com drones podem ampliar as fronteiras do conhecimento sobre a espécie.

Conservação de habitats e saúde dos dugongos

Mannocci testa aeronaves de asa fixa para voos mais longos, com maior alcance, em Mayotte, no Canal de Moçambique. Esses drones podem decolar verticalmente, o que facilita operações em áreas restritas. A pesquisadora integra estudos com o IPB, na Indonésia.

Em Indonésia, Digdo estima que 1,6 milhão a 1,8 milhão de hectares de pradarias de seagrass existam ao longo da costa. Se confirmadas, essas áreas podem responder por uma parte significativa dos dugongos globais.

A vigília com drones também permite medir o estado de saúde dos indivíduos. Ao calcular o índice de condição corporal, pesquisadores avaliam energia disponível e bem-estar, sem necessidade de captura invasiva.

A relação entre dugongos e seagrass

As pradarias de seagrass surgiram como relevante sumidouro de carbono desde 2012. Dugongos alimentam-se de seagrass, até 30 kg por dia, mantendo o ecossistema em equilíbrio. O alimento favorece a saúde da pradaria, que também abriga outras espécies marinhas.

As seagrass meadows ocupam cerca de 0,2% do oceano, mas retêm aproximadamente 10% do carbono oceânico, ao aprisionar CO2 em sedimentos. A degradação das pradarias afeta a alimentação e a saúde dos dugongos, o que pode ser detectado nos índices de condição corporal.

A vigilância por drones funciona como alerta precoce: quedas no BCI indicam necessidade de resposta rápida para reduzir impactos, como poluição ou ocupação costeira.

Esforços globais e comunitários

Esforços globais visam proteger as pradarias e fortalecem a proteção aos dugongos. A CMS apoia o mapeamento de habitat para integrar planos de expansão de áreas protegidas, incluindo ações previstas no Seagrass Breakthrough 2030.

Parcerias com comunidades locais são centrais para o sucesso. Na Queensland, grupos indígenas firmam acordos de uso tradicional com autoridades de parques marinhos, regulando a caça e, em períodos de danos à seagrass, suspendendo atividades.

Iniciativas semelhantes existem em outras partes da área de ocorrência dos dugongos. Em Tailândia, a CMS apoia redes que promovem alternativas de sustento para comunidades pesqueiras, reduzindo pressão sobre as pradarias.

Conservar as pradarias não beneficia apenas os dugongos: esses ecossistemas servem de refúgio para peixes e invertebrados, contribuindo para a subsistência de comunidades costeiras, especialmente quando manejados de forma sustentável.

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