- Fabiane Kuhn, filha de faxineira, desenvolveu um sensor de umidade do solo patenteado, instalado em cerca de 5.000 hectares em 11 estados, para orientar irrigação e reduzir consumo de água e energia.
- A tecnologia está em mais de 20 culturas e é oferecida pela Raks Tecnologia Agrícola, startup de São Leopoldo com modelo de assinatura e monitoramento via satélite ou rede celular.
- A ideia nasceu na escola técnica em Novo Hamburgo, ganhou prêmios nacionais e internacionais e resultou na fundação da Raks em 2017, com Fabiane e Vinícius Miller como sócios.
- Em 2019 o produto chegou ao mercado; em 2020 entrou uma rodada de R$ 850 mil e, em 2022, mais R$ 1,1 milhão, aumentando a presença no campo que hoje soma cerca de 250 equipamentos.
- Planos incluem expansão internacional, participação em programas de liderança e alcance de break-even em 2025, diante de regulamentações hídricas e demanda por mais alimentos até 2060.
Fabiane Kuhn, filha de uma faxineira, construiu uma startup que hoje fornece sensores de umidade do solo em 11 estados brasileiros. O sensor, patenteado, orienta produtores sobre quando irrigar, reduzindo consumo de água e energia.
A empresa nasceu em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, a partir de pesquisas de Fabiane e Guilherme Ramos em 2015. O protótipo nasceu em férias de inverno e foi apresentado na Mostratec, a maior feira estudantil da região.
Ao longo de 2016, a dupla passou a atuar formalmente, fundando a Raks Tecnologia Agrícola em 2017. A equipe cresceu com Vinícius Miller, mantendo-se como sócios até hoje. O empreendimento foi viável com recursos limitados obtidos em etapas.
Do laboratório ao campo
Em 2019, o produto abriu o mercado com a primeira rodada de investimentos, abrindo caminho para crescimento. Em março de 2020, a startup recebeu cerca de R$ 850 mil, liderada pela Ventiur, mas a pandemia alterou planos.
Em 2022, outra rodada, desta vez liderada pela Kria, aportou R$ 1,1 milhão. O sensor funciona com hastes de 20 cm, placa solar e conectividade via satélite ou celular, com leituras por hora. O modelo é de assinatura.
Ampliando fronteiras e impactos
A Raks monitora aproximadamente 5.000 hectares com 250 equipamentos, atendendo principalmente pequenos e médios produtores. Casos de economia de até 40% de água e energia já foram registrados, sem redução de produtividade.
A atuação envolve culturas como café, frutas e grãos. A tecnologia é vista como aliada do produtor, com foco em orientar ligações e tempos de irrigo. A empresa aposta em regulamentações hídricas mais restritivas.
Reconhecimento e expansão internacional
A trajetória levou Fabiane à Forbes Under 30 e a parcerias nos Estados Unidos. Em 2019, testou o equipamento na fazenda da Precision Planting, no Illinois. Em 2024, integrou o programa YLAI, com atividades em Nebraska.
O próximo passo é ampliar a presença internacional, com conectividade por satélite e rede celular em mais regiões. A empresa planeja manter o crescimento sem abrir mão da viabilidade financeira.
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