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Minas da Tasmânia foram fechadas, rios ainda lembram impactos

Na Tasmânia, o King River revela décadas de poluição mineira de Mount Lyell, com ecossistemas aquáticos degradados e riscos ambientais e de saúde ainda presentes

The King River enters Macquarie Harbour, where decades of mining have contributed to contaminated sediment buildup at the river’s delta.
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  • O King River, em Tasmânia, está poluído por rejeitos de mineração de cobre no Mount Lyell, tornando partes do rio biologicamente mortas e afetando a curva ecológica local.
  • O rejeito sulfídico gerado ao longo de mais de um século de mineração produz drenagem ácida que libera metais pesados, permanecendo em sedimentos e planícies de cheia mesmo após o fim da mineração em 2014.
  • Estudos mostram grande perda de espécies sensíveis e redução da biodiversidade na vida aquática, com impactos que se estendem até o oceano no Macquarie Harbour, onde vive a skate-maugesta (espécie ameaçada).
  • A infraestrutura hidrelétrica e mudanças climáticas agravam o problema, pois barragens alteram fluxos e sedimentação; leis como a Mt Lyell Acid Drainage Reduction Act foram criadas, mas há propostas de atualizações.
  • Em escala global, a poluição de minas contamina centenas de milhares de quilômetros de rios e afeta milhões de pessoas, lembrando que “os rios lembram a mineração” por décadas ou séculos.

O King River, em Tassâ nia, permanece marcado pela memória de décadas de mineração. Nasceu de uma paisagem diversa e deserta, mas suas águas terrosas revelam um legado invisível que persiste desde Mount Lyell, um antigo núcleo de cobre próximo a Queenstown. A poluição hidrovia manteve-se mesmo após o encerramento da mineração.

Relatórios do EPA da Tasmânia e estudos independentes descrevem trechos do baixo King como biologicamente mortos, com ausência de espécies sensíveis. Milhões de toneladas de rejeitos sulfetados despejados ao longo de mais de um século provocaram ácido de drenagem de minas e deslocamento de metais.

Impactos ambientais

As correntes carregam metais como cobre e zinco para o sistema Queen-King, com depósitos que chegam ao delta de resíduos industriais na enseada de Macquarie Harbour. Cientistas alertam que a degradação persiste por séculos, agravada por mudanças climáticas e obras hidrelétricas na ilha.

Ouso Missen, geocemista da Universidade de Tasmanie, ressalta que a paisagem parece intocável, mas esconde décadas de contaminação sob a superfície. O rio King transita entre beleza cênica e impacto ambiental de longo prazo.

Relações com a saúde pública

Estudos apontam riscos maiores para o ambiente do que para a saúde humana imediata, embora pessoas que vivem próximas às margens enfrentem exposições crônicas a metais dissolvidos. A ocupação humana útil passa pela água, pesca e consumo de alimentos advindos de áreas poluídas.

A cidade de Strahan, proximamente ao Mackquarie Harbour, recebe águas que carregam o legado de montanhas de rejeitos. A presença da foca Maugean skate, espécie crítica, é citada entre os impactos sobre ecossistemas estuarinos, sensíveis a mudanças de oxigênio e sedimentos.

Medidas e desafios

Desde o fim da mineração de Mount Lyell na década de 1990, leis como a Mt Lyell Acid Drainage Reduction Act tentam controlar a descarga de água contaminada. Em 2025 houve proposta de atualização regulatória para o gerenciamento de resíduos, ainda sob avaliação.

Hoje, cerca de 80% da eletricidade na Tasmânia vem de hidroeletricidade, com barragens que alteram fluxos e transporte de sedimentos. Pesquisas de longo prazo acompanham a recuperação de comunidades ribeirinhas e a eficácia de intervenções de restauração.

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