- O CoopClima é um projeto iniciado em 2023 na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com foco em políticas públicas de ação do clima em São Vicente, baseada em justiça climática.
- O programa busca cocriar soluções com população local, conectando ciência, gestão pública e saberes comunitários, tornando São Vicente a primeira cidade do Brasil a ter uma resposta estruturada à situação climática.
- Desafios iniciais incluíram o período eleitoral que dificultou atividades de rua e a dificuldade de aproximação com comunidades onde o Estado era ausente, superados pela formação de uma tríade entre academia, governo e população.
- Conquistas iniciais: criação de uma “caixa de ferramentas” sobre letramento climático e divulgação científica, curso de extensão para gestores e pilotos em três escolas da Baixada Santista, vencedores de premição da USP em 2024 e do ESG Tribuna.
- Olhando adiante, o projeto pretende desenhar de fato a política de ação climática de São Vicente, buscando inspirar outras cidades com guias, metodologias e materiais para decision making, com ênfase na justiça climática.
O CoopClima é um programa que nasceu em 2023 na sala de aula da EACH, USP, como disciplina optativa. Em 2024 começou a ganhar corpo, com financiamento da Fapesp, para desenhar políticas públicas de ação climática em São Vicente, baseadas em evidências científicas e justiça social.
A iniciativa envolve academia, gestão municipal e comunidade local, buscando ouvir as vozes da periferia para construir uma agenda compartilhada. A ideia central é transformar o debate sobre mudanças climáticas em ações concretas e inclusivas para o território.
O projeto surge como resposta a desigualdades que agravam danos ambientais para quem vive em áreas de risco, sem saneamento ou serviços básicos. A prática busca traduzir a ciência para o cotidiano e orientar decisões públicas.
Risco nas cidades litorâneas
Paulo Artaxo, da USP, aponta que cidades litorâneas enfrentam maior vulnerabilidade com o aumento do nível do mar, acentuando desigualdades entre zonas ricas e pobres. A atuação do CoopClima pretende mitigar esse desequilíbrio.
Desafios enfrentados
O programa enfrentou entraves como a interdição de atividades durante períodos eleitorais, dificultando ações de campo. A relação entre universidade, prefeitura e comunidades também demandou tempo de construção.
Primeiros passos e conquistas
Foi criado o Fórum de Cooperação com academia, governo e agentes locais. Um curso de extensão reuniu gestores municipais e surgiu um piloto em três escolas da Baixada Santista, premiado pela USP em 2024.
Depois, o projeto avançou para atividades no território periférico, mapeando mais de mil áreas de risco com a participação de quase 400 pessoas. A iniciativa ganhou reconhecimento por meio de premiações do ESG Tribuna.
Olhando para o futuro
Entre as metas, está a construção de uma política climática para São Vicente, com guias, manuais e metodologias que orientem decisões. O objetivo é ampliar a adoção de medidas de justiça climática em outras cidades.
Artaxo ressalta que recursos para enfrentar mudanças já existem, mas precisam entrar na agenda de gestores e da população, gerando pressão para uso mais efetivo. O CoopClima pretende ser um modelo de cooperação permanente entre setores.
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