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Natureza ainda molda genes humanos, diz estudo

DNA de 15.836 restos mortais aponta 479 variantes sob seleção natural nos últimos dez mil anos, indicando evolução humana recente

Técnico perfura crânio em processo para extrair DNA em laboratório da Universidade Harvard, em Boston (EUA)
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  • Estudo analisou DNA de 15.836 restos mortais humanos antigos e identificou 479 variantes genéticas favorecidas pela seleção natural nos últimos 10 mil anos.
  • Os autores sugerem que milhares de variantes adicionais passaram por seleção natural neste intervalo, muito mais do que as dezenas identificadas anteriormente.
  • Um exemplo citado é uma mutação associada à doença celíaca que surgiu há cerca de 4 mil anos e hoje pode atingir 80 milhões de pessoas no mundo.
  • Também foi observado que variantes que aumentam a propensão a fumar tornaram-se mais raras na Europa nos últimos 10 mil anos, mas a razão ainda não está clara.
  • Os cientistas expandem a pesquisa para além da Europa, incluindo dados da Ásia Oriental e de outras regiões, para entender se padrões semelhantes ocorrem em outras populações.

Ao examinar o DNA de 15.836 restos mortais de humanos antigos, uma equipe de pesquisadores afirma ter identificado 479 variantes genéticas que teriam sido favorecidas pela seleção natural apenas nos últimos 10 mil anos. O estudo foi divulgado na revista Nature na última quarta-feira, 15.

Segundo os autores, além dessas 479 variantes, milhares de outras possivelmente passaram por seleção natural nesse período, o que ampliaríamos o conjunto de alterações evolutivas consideradas até então. Os pesquisadores destacam que, antes, apenas algumas dezenas haviam sido identificadas.

Entre os nomes envolvidos, destacam-se o geneticista David Reich, da Faculdade de Medicina de Harvard, e Ali Akbari, também de Harvard, que liderou os trabalhos com métodos novos de análise de DNA antigo. A equipe analisou 15.836 genomas de pessoas de épocas distintas.

Desdobramentos e perspectivas

Os pesquisadores apontam que uma mutação associada ao risco de doença celíaca surgiu há 4 mil anos, tornando-se hoje comum em cerca de 80 milhões de pessoas. A mutação pode ter fornecido vantagem evolutiva em contextos históricos, mesmo com riscos de doença autoimune.

Outras descobertas indicam queda na frequência de variantes associadas ao tabagismo na Europa nos últimos 10 mil anos, apesar do consumo de tabaco ter se iniciado cerca de 460 anos atrás na região. A origem dessas mudanças ainda não está totalmente clara.

A investigação também analisa variações em traços como diabetes tipo 2, cintura e gordura corporal, sugerindo seleção poligênica em várias características. Especialistas ressaltam que os resultados exigem cautela e confirmação adicional.

Os autores ressaltam que o estudo de 15 mil genomas antigos demonstra o potencial de detectar sinais de seleção natural em escalas maiores. No momento, parte das evidências é considerada robusta, parte, mais questionável pelos métodos utilizados.

Paralelamente, análises em amostras da China e regiões vizinhas, em estudo ainda não publicado, indicam que algumas variantes selecionadas na Europa também foram favorecidas no Leste Asiático. Pesquisas adicionais devem esclarecer se padrões se repetem em outros continentes.

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