- Mariangela Hungria, agrônoma da Embrapa Soja em Londrina, integra a lista Time 100 mais influentes de 2026, na categoria Pioneiros.
- A pesquisadora atua há mais de quarenta anos em microbiologia do solo, com foco em microrganismos que fixam nitrogênio e reduzem o uso de insumos químicos.
- No ano passado, recebeu o World Food Prize, considerado o principal reconhecimento da agricultura.
- Estudos indicam que, na soja, a inoculação com Bradyrhizobium, especialmente associada à coinoculação com Azospirilum brasiliense, gerou em 2024 uma economia de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 125 bilhões) e evitou mais de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.
- O Brasil é líder mundial no uso de processos biológicos no campo, e há potencial para ampliar a participação de biológicos em diversas culturas, incluindo milho.
A agrônoma e pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, integra a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 da Time, na categoria Pioneiros. A seleção reconhece impacto, inovação e conquistas globais.
Hungria atua há mais de 40 anos no desenvolvimento de tecnologias em microbiologia do solo, com foco em microrganismos que promovem a fixação biológica do nitrogênio. O objetivo é reduzir o uso de insumos químicos na agricultura.
A pesquisadora trabalha na Embrapa Soja, em Londrina, no Paraná. O anúncio da Time destaca o papel de suas pesquisas em microbiologia do solo para práticas agrícolas mais sustentáveis.
Reconhecimento internacional
No ano passado, Mariangela recebeu o World Food Prize, considerado o maior prêmio da agricultura mundial. A premiação é vista como análoga ao Nobel no setor.
Desde 2020, Janela as quase 100 mil cientistas mais influentes segundo estudo da Universidade de Stanford. Em 2022, ocupou a primeira posição brasileira em áreas como Fitotecnia, Agronomia e Microbiologia, conforme lista da Research.com.
A pesquisadora já recebeu diversas premiações por sustentabilidade na agricultura. Entre elas, o Frederico Menezes, além de reconhecimentos da Lenovo, da Frente Parlamentar da Agropecuária e da Fundação Bunge.
Impacto econômico e ambiental
Estudos de Hungria apontam que a inoculação de soja com bactérias fixadoras de nitrogênio pode ampliar ganhos quando associada à coinoculação com Azospirilum brasiliense. Em 2024, essa tecnologia gerou economia estimada em US$ 25 bilhões, cerca de R$ 125 bilhões, pela redução do uso de fertilizantes.
Essa economia considera a área plantada, o custo do adubo e a eficiência de uso do nitrogênio. Além disso, a tecnologia evitou, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.
A pesquisadora destaca que o Brasil é líder mundial no uso de processos biológicos no campo, mas lembra que apenas uma parcela da agricultura utiliza biológicos, ainda cerca de 10% a 15%.
Perspectivas para culturas diversas
Para a soja, a substituição de adubos químicos por microrganismos pode ser total, reduzindo a dependência de fertilizantes importados. Em milho, a substituição tende a ser parcial, com ganhos significativos em custos e meio ambiente.
As pesquisas em andamento já identificam bactérias eficientes para culturas como feijão, ervilha, trigo, arroz, cevada e até pastagens de gramíneas usadas na alimentação animal. A continuidade dos estudos mira ampliar o uso de biológicos em larga escala.
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