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Campos naturais do Brasil resistem às adversidades e abrigam plantas centenárias

Campos naturais do Cerrado abrigam espécies centenárias; estudo usa herbcronologia para mapear clima passado e embasar conservação

A imagem contém um campo de Cerrado aberto e com relevos
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  • Campos naturais são ecossistemas abertos no Brasil, com vegetação rasteira, cobrindo cerca de 20% da superfície e, apesar de nativos, recebem pouca atenção e dificuldades de conservação.
  • Pesquisas do Biota Campos, em parceria com a Esalq da USP, aplicaram dendrocronologia em plantas de pequeno porte para entender o clima passado, usando órgãos subterrâneos para espécies sem troncos visíveis.
  • Estudo envolvendo 204 plantas de 28 famílias e 107 espécies, coletadas em campos de Mata Atlântica, Cerrado e áreas úmidas e secas, indicou que cerca de 12% têm mais de 50 anos e 55% apresentam anéis de crescimento distinguíveis.
  • Técnicas de autofluorescência e testes histoquímicos foram usados para melhorar a visualização dos anéis nos órgãos subterrâneos, facilitando a datação das plantas.
  • Os resultados ajudam a compreender a longevidade das espécies, a relação com queimadas e a história climática das regiões, reforçando que campos naturais não são áreas degradadas, mas ecossistemas resilientes.

Ao longo de estudos desenvolvidos no âmbito do Biota Campos, pesquisadores revelam que campos naturais brasileiros abrigam plantas centenárias, mesmo em ecossistemas não florestais. As pesquisas utilizam dendrocronologia em árvores e herbcronologia em espécies de porte menor para reconstruir históricos climáticos.

A equipe coordena Giselda Durigan, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), e envolve a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. As investigações trazem técnicas novas para avaliar a idade de plantas de pequeno porte em Cerrado e Mata Atlântica.

Os levantamentos ocorreram em 50 localidades de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, abrangendo 28 famílias e 107 espécies. Amostras foram coletadas em áreas de altitude, campos úmidos e secos, para entender a longevidade dessas plantas.

Técnicas para datar plantas

Um estudo de datação encontrou espécies centenárias em campos naturais do Cerrado, com cerca de 12% das plantas com mais de 50 anos. A análise utilizou amostras de órgãos subterrâneos, protegidos de queimadas e herbívoros.

A pesquisadora Claudia Fontana explica que o órgão subterrâneo abriga as gemas que rebrotam, registrando a história da planta desde a germinação. A leitura desses tecidos permite entender a vida da planta.

Outra linha de pesquisa aplicou técnicas de autofluorescência e testes histoquímicos para evidenciar a anatomia e a química dos órgãos subterrâneos. O objetivo é facilitar a delimitação dos anéis de crescimento para a datação.

Resultados e desdobramentos

O conjunto de técnicas permitiu visualizar os anéis com maior precisão, ajudando a entender a relação entre ambiente e espécies. Tiago Marcilio Gomes Pinto lembra que a visualização depende do entendimento do significado dos anéis para a dinâmica do campo.

Os trabalhos destacam a utilidade da herbcronologia para ecossistemas não florestais, especialmente em áreas com queimadas frequentes. A pesquisa também busca compreender estratégias de sobrevivência das plantas diante de fogo e secas.

Implicações para conservação

Os resultados indicam que campos naturais não são áreas degradadas por natureza, mas ecossistemas resilientes que se renovam após eventos climáticos. A presença de plantas com centenas de anos evidencia a importância de conservar esses habitats.

Os estudos ajudam a reconstruir a história climática de regiões específicas e a caracterizar a unidade de estudo, o anel de crescimento, para futuras avaliações em outras espécies. As pesquisas continuam em parceria entre IPA, Esalq e redes associadas.

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