- Dois cientistas brasileiros aparecem na Time 100 de 2026: o entomologista Luciano Moreira, da Fiocruz, e a engenheira agrônoma Mariangela Hungria, da Embrapa; Moreira está na categoria Inovadores e Hungria, entre os Pioneiros.
- Moreira coordena pesquisa com a bactéria Wolbachia para impedir a transmissão da dengue pelo mosquito Aedes aegypti; já foram liberados mosquitos com Wolbachia em 16 cidades, com reduções significativas de dengue, em alguns locais chegando a 89%.
- O projeto visa ampliar a proteção para mais de cento e quarenta milhões de pessoas na próxima década, com a maior biofábrica do mundo dedicada à produção desses mosquitos em Curitiba.
- Hungria atua há mais de três décadas na fixação biológica de nitrogênio, buscando reduzir o uso de fertilizantes químicos; hoje, cerca de oitenta e cinco por cento das áreas de soja utilizam esses microrganismos, gerando economia estimada de 25 bilhões de dólares por ano e evitando cerca de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
- Em reconhecimento internacional, Moreira integrou a lista Nature’s 10 em 2025; Hungria recebeu o World Food Prize em 2025, considerado o “Nobel da agricultura”.
Dois pesquisadores brasileiros integram a lista da Time das 100 pessoas mais influentes de 2026. Luciano Moreira, entomologista, foi incluído na categoria Inovadores, e Mariangela Hungria, engenheira agrônoma, aparece entre os Pioneiros. A homenagem destaca pessoas que moldam ciência, cultura, política e tecnologia.
Moreira atua na Fiocruz, no Programa Mundial de Mosquitos, com uma estratégia para conter a dengue. Hungria trabalha na Embrapa, liderando pesquisas sobre bactérias do solo para reduzir fertilizantes na agricultura. Ambos têm impactos diretos na vida de milhões.
A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que precisa ser fêmea infectada para disseminar o vírus. A abordagem de Moreira não busca eliminar o inseto, mas frear a transmissão da doença. O trabalho usa a bactéria Wolbachia.
A Wolbachia é inserida nos ovos do mosquito, de forma laboratorial. Mosquitos nascem com a bactéria, dificultando a multiplicação dos vírus dentro do inseto. Com o tempo, a característica pode se espalhar pela população local.
O método começou no Brasil em 2012 e já está em uso em 16 cidades. Estudos indicam reduções significativas de dengue, com quedas que chegam a 89% em alguns locais. A estratégia é expandida por meio de uma biofábrica em Curitiba.
A iniciativa visa proteger mais de 140 milhões de pessoas na próxima década, com a liberação de milhões de mosquitos infectados. Em 2025, Moreira integrou a lista Nature’s 10, da Nature, que reúne os principais pesquisadores daquele ano.
Bactérias que reduzem fertilizantes
Já Hungria concentra-se em microrganismos do solo que promovem a fixação biológica de nitrogênio. Esses microrganismos são aplicados às sementes por meio de inoculantes, reduzindo o uso de fertilizantes nitrogenados.
O nitrogênio é abundante no ar, mas não é absorvido pelas plantas sem transformação. Bactérias do solo realizam esse processo, alimentando as lavouras e diminuindo custos para agricultores.
A aplicação prática envolve inoculantes que conectam as bactérias às raízes das plantas. O resultado é menor dependência de fertilizantes fósseis e menor emissão de gases de efeito estufa.
Na prática, a tecnologia já é amplamente adotada na soja brasileira, com estimativas de economia de cerca de 25 bilhões de dólares anuais. Hungria atua na Embrapa desde 1982, em Londrina, com foco na soja.
Em 2025, Hungria recebeu o World Food Prize, prêmio internacional reconhecido como o “Nobel da agricultura”. A pesquisadora lidera o desenvolvimento de mais de 30 tecnologias e centenas de publicações.
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