- Arqueólogos encontraram evidências de jogos com dados binários usados por nativos americanos há mais de 12.000 anos, anteriores aos dados modernos; os planos datam de aproximadamente 12.800 a 12.200 anos atrás.
- Os dados binários eram artefatos de dois lados, feitos de madeira ou osso, que podiam ser lançados como uma moeda; foram encontrados em sítios do Período Folsom nos estados Wyoming, Colorado e Novo México.
- O estudo, publicado em 2 de abril na revista American Antiquity, afirma que os dados eram usados para jogos e apostas antes da chegada europeia.
- O autor principal, Robert J. Madden, identificou mais de 600 conjuntos de dados indígenas em 45 sítios arqueológicos no oeste dos Estados Unidos, remontando do Pleistoceno Superior ao período pós-contato com os europeus.
- Especialistas destacam que a arqueologia de jogos foi negligenciada e que o trabalho oferece novos métodos para entender a evolução dessas práticas na América e no mundo.
Os arqueólogos anunciaram evidências de que dados usados em jogos por nativos americanos podem ter datas anteriores ao que se pensava. A pesquisa aponta que essas peças funcionavam como dados binários há mais de 12 mil anos, situando o uso antes do fim da última era glacial. O estudo foi publicado na revista American Antiquity.
Os artefatos são discos planos de dois lados, feitos de madeira ou osso, que podiam ser jogados como uma moeda. Encontrados em sítios do Período Folsom, em Wyoming, Colorado e Novo México, eles remontam a cerca de 12.800 a 12.200 anos atrás. A descoberta desafia ideia de que dados desse tipo surgiram só com a história registrada.
O estudo propõe critérios para identificar dados antigos e entender sua evolução. O autor principal, Robert J. Madden, doutorando em arqueologia, afirma que o registro pré-histórico ainda guarda lacunas relevantes sobre o uso dessas peças.
Pelos critérios aplicados, Madden encontrou mais de 600 conjuntos de dados indígenas, oriundos de 45 sítios arqueológicos no oeste dos Estados Unidos. Os itens vão do Pleistoceno Superior ao período pós-contato com europeus.
A análise combina a avaliação de formatos e marcações em cada face com referências de registros históricos de nativos americanos. Assim, é possível classificar objetos como dados binários mesmo que não tenham formato cúbico tradicional.
Segundo especialistas, a pesquisa abre caminho para entender a prática de jogos no passado. O estudo destaca que a arqueologia de jogos foi subexplorada, e que o conhecimento das práticas tradicionais facilita interpretações no registro arqueológico.
A equipe cita a importância de ampliar a comparação entre dados antigos e evidências posteriores ao encontro com europeus. A hipótese sustenta que a lógica de dados binários pode ter influenciado o desenho de jogos e apostas ao longo de diferentes culturas.
A pesquisa é vista como marco para a arqueologia das Américas e para a compreensão de jogos pré-históricos em escala global. Um dos especialistas consultados, embora não tenha participado do estudo, ressalta a relevância de explorar essas evidências para entender comportamentos lúdicos antigos.
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