- Projeção da SP Águas indica 62% de probabilidade de El Niño ocorrer entre junho e agosto, com tendência de permanência até o fim do ano, podendo elevar temperaturas e consumo de água.
- O Cantareira está em 42,7% de capacidade no início do outono, o nível mais baixo em dez anos desde a crise hídrica de 2014 a 2016.
- A Jaguari-Jacareí, parte do Cantareira, saiu de 17,9% de capacidade no início de dezembro para 45,1% na quinta-feira.
- Especialistas apontam que chuva irregular aliada à evaporação aumenta o risco de desabastecimento; há expectativa de necessidade de chuvas no fim de 2026 e início de 2027 para segurança hídrica.
- A Sabesp afirma não haver medidas extraordinárias no momento e utiliza protocolo de escassez, investindo mais de R$ 5 bilhões até 2027 para ampliar oferta e melhorar a condução entre sistemas.
O El Niño volta a preocupar a região Sudeste, com previsões de maior irregularidade pluviométrica e elevação das temperaturas. Em São Paulo, o fenômeno pode agravar a crise hídrica no Cantareira, sistema que atende metade da região metropolitana.
A SP Águas aponta 62% de probabilidade de ocorrência entre junho e agosto, com possibilidade de prolongamento até o fim do ano. A tendência é de temperaturas mais altas no trimestre de abril a junho, elevando a demanda por água.
O Cantareira já opera com níveis baixos. Em março, estava em cerca de 43% de capacidade, o menor volume em uma década, o que acende alerta para o abastecimento nas próximas semanas e meses.
As condições de chuva devem sofrer variações, com evaporação acelerada. Meteorologistas destacam que o período seco tradicional do outono/inverno será agravado pelo El Niño, reduzindo a recarga de mananciais.
A Jaguari-Jacareí, parte do Cantareira, registrou queda acentuada no ano passado e apresentou recuperação parcial. Analistas destacam que ainda há desafio para manter o equilíbrio entre oferta e consumo.
O El Niño costuma alterar padrões de chuva e temperatura globalmente. No Brasil, a expectativa é de atuação no fim do inverno ou início da primavera, com intensidade entre moderada e forte em estudo de instituições.
A Sabesp afirma manter planejamento para segurança hídrica, com ações de gestão da demanda, eficiência operacional e investimentos. A empresa cita integração de sistemas, reduções de perdas e novas obras.
Entre as ações, estão obras previstas até 2027, com investimento superior a R$ 5 bilhões. Elas devem ampliar a oferta em cerca de 8.000 litros por segundo, incluindo interligações e novas plantas de tratamento.
Projeções e gestão
A SP Águas monitora o El Niño com base em dados de referência. Medidas de escassez já atingem Alto Tietê e partes da bacia do Piracicaba, com suspensão de novas outorgas para usos não prioritários.
A meteorologia aponta que as mudanças climáticas devem manter a água mais irregular ao longo dos próximos anos. Estudos da ANA indicam redução de até 40% na disponibilidade hídrica até 2040.
Especialistas destacam a necessidade de planejamento com informações para decisões estratégicas. A gestão atual visa evitar medidas extraordinárias, mantendo a segurança hídrica.
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