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Grande capital afundou em um dia por terra e água; descoberta após 100 anos

Helike afundou em 373 a.C. após terremoto e tsunami; ruínas reaparecem sob oliveiras, alimentando debates sobre Atlântida

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  • Em 373 a.C., um terremoto abriu o solo e uma onda gigante engoliu Helike, levando a cidade a sumir do mapa e afundar sob lama e água.
  • Helike era a sede da Liga Aqueia, ficava perto do Golfo de Corinto e abrigava o santuário de Poseidon Heliconiano, além de ser centro religioso e comercial.
  • O projeto Helike, iniciado em 1988, sugeriu que a cidade afundou em uma lagoa interior em vez de no mar, sendo coberta por sedimentos ao longo de séculos.
  • Escavações recentes mostraram ruínas do período clássico sob sedimentos de lagoa seca e um assentamento da Idade do Bronze Inicial, revelando que o desastre atingiu o local há mais de dois milênios.
  • Estudos de 2025 indicam tremores fortes a cada cerca de trezentos anos; a coincidência temporal com a época de Platão alimenta debates sobre Atlântida, mas Helike também exemplifica o impacto de desastres naturais na história do Mediterrâneo.

Durante uma noite de inverno de 373 a.C., Helike, a cidade mais influente da Acaia, no norte do Peloponeso, foi destruída por um terremoto seguido de uma onda gigante. O solo cedeu e o mar invadiu o que restava, levando a cidade ao esquecimento.

A cidade, que ficava a 2 km do Golfo de Corinto, era centro religioso e comercial. O santuário de Poseidon Heliconiano atraía peregrinos da Grécia e das colônias da Ásia Menor. Homero já citava Helike em referências à Guerra de Troia.

A tragédia em números

Relatos de Estrabão, Pausânias e Diodoro descrevem cinco dias de fuga de animais para Cerínea, seguido pelo abalo sísmico e pela inundação marítima. Dez navios de guerra espartanos ancorados no porto teriam ido ao fundo.

Uma missão de resgate com 2.000 homens não encontrou corpos. A cidade vizinha Egiom passou a abrigar as terras destruídas. Séculos depois, Eratóstenes mencionou uma estátua de bronze de Poseidon dentro d’água, em perigo para quem pescava na região.

A pista de interpretação que mudou tudo

A palavra grega poros, usada por Eratóstenes, foi interpretada por muita gente como referência ao Golfo de Corinto. Arqueólogos reviraram fundos marinhos sem sucesso, levando à ideia de que Helike afundou sem deixar vestígios.

O Helike Project, iniciado em 1988 por Dora Katsonopoulou e Steven Soter, propôs que poros significasse uma lagoa no continente. Um tremor deslocou o solo, a água invadiu, e terra trouxe sedimentos que formaram a lagoa, mais tarde preenchida pelo tempo.

Ruínas sob oliveiras

Em 2001, escavações perto de Rizomylos revelararam muros do período clássico sob sedimentos de uma lagoa seca. Em 2012, camadas de destruição com materiais do século IV a.C. foram datadas como compatíveis com o terremoto de 373 a.C.

Ao lado, encontrou-se um assentamento da Idade do Bronze Inicial, preservado sob relevo de 2400 a.C. O World Monuments Fund incluiu Helike entre os 100 sítios mais ameaçados em 2004 e 2006.

Um retrato de reconstrução

Pesquisa publicada em 2025 pela Land, liderada por Katsonopoulou, traçou a linha do tempo dos tremores da Falha de Helike ao longo de quase 3 mil anos. Tremores fortes ocorriam aproximadamente a cada 300 anos, entre Geométrico e Romano.

Modelos computacionais sugerem que o terremoto de 2100 a.C. elevou o terreno em 6 a 7 metros, enquanto o de 373 a.C. afundou entre 4 e 9 metros, abrindo espaço para a entrada do mar.

Conexões com Atlântida

A destruição de Helike ocorreu pouco antes de Platão descrever Atlântida. Pesquisadores debatem se o episódio influenciou a narrativa de uma cidade lendária engolida pelo mar. A relação entre Poseidon e Helike alimenta esse interesse histórico.

Outros veem que Helike mostra como desastres naturais moldaram civilizações gregas, independentemente de Atlântida. O sítio oferece evidência robusta de mudanças abruptas no Mediterrâneo antigo.

Um marco de história antiga

Helike combinou relatos escritos com evidências geológicas, distinguindo-se de outras cidades perdidas. A descoberta de templos, ruas e casas sob sedimentos ajuda a entender como a região reagia a desastres naturais.

O sítio entre Egiom e Rizomylos hoje revela uma cidade que, ao fim, desapareceu em uma noite, mas deixou um registro claro de sua infraestrutura e de sua recuperação econômica após tragédias.

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