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SUS em Recife usa IA para identificar mulheres em risco de violência

Recife testa a IA ClarIA para identificar sinais de violência contra mulheres na Atenção Básica; nos noventa dias anteriores surgem padrões, com 75% das notificações no pronto-socorro e expansão para 21 unidades

ClarIA: IA permitiu identificar que, nos 90 dias que antecedem episódios mais graves de violência, incluindo o feminicídio, muitas mulheres passam a procurar mais os serviços de saúde
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  • Em Recife, a ferramenta de IA chamada ClarIA identifica sinais de violência contra a mulher a partir de prontuários e do histórico de atendimentos, para atuação precoce das equipes de saúde.
  • ClarIA foi desenvolvida pela Secretaria de Saúde do Recife em parceria com Vital Strategies e a Universidade Federal de Juiz de Fora, com base em cerca de 16 mil registros de uma década.
  • O sistema tem duas frentes: leitura de textos dos prontuários para detectar indícios de violência e análise de padrões de atendimentos que sinalizam maior risco, incluindo questões de saúde mental.
  • Um achado é que, nos noventa dias que antecedem episódios graves, muitas mulheres procuram mais os serviços de saúde, o que o sistema pode ajudar a detectar precocemente.
  • A ferramenta gera alertas no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC e-SUS) com orientações de conduta e encaminhamentos, após piloto com cerca de sessenta profissionais; expansão está prevista para mais vinte e uma unidades.

A Secretaria de Saúde de Recife, em parceria com a Vital Strategies e a UFJF, desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial chamada ClarIA para apoiar a identificação de mulheres em situação de risco de violência. O objetivo é atuar precocemente nas equipes da Atenção Básica, antes de denúncias formais.

A tecnologia analisa prontuários e histórico de atendimentos para detectar padrões de violência. O treinamento utilizou cerca de 16 mil registros de mulheres atendidas ao longo de uma década nas unidades da cidade. O sistema opera em duas frentes: leitura de textos dos prontuários e análise de histórico de atendimentos.

Nos 90 dias que antecedem episódios mais graves, incluindo feminicídio, a IA revela um aumento de buscas por atendimento médico entre as pacientes. A secretária de Saúde, Luciana Albuquerque, aponta que 75% das notificações ocorrem nos prontos-socorros, enquanto apenas 1% acontece na Atenção Básica.

#### Desdobramentos e aplicação prática

Ao detectar indícios, o ClarIA gera um alerta no Prontuário Eletrônico do Cidadão, o PEC e-SUS, com orientações de conduta para os profissionais. As recomendações vão desde acolhimento até encaminhamentos para serviços da rede de proteção.

Segundo Pedro de Paula, diretor executivo da Vital Strategies Brasil, a ferramenta não é isolada, mas parte de uma estratégia de fortalecimento da resposta do sistema de saúde. O foco é ampliar a atuação integrada e a rede de apoio às vítimas.

#### Status do piloto e próximos passos

Antes da ampliação, o projeto piloto ocorreu em unidades da família do Distrito Sanitário I, envolvendo pouco mais de 60 profissionais. A próxima etapa prevê a expansão para 21 unidades adicionais em Recife, ampliando o alcance da ferramenta.

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