- A melatonina, produzida pela glândula pineal, regula o sono e pode influenciar diversas funções do organismo; em 2021, a Anvisa autorizou sua venda como suplemento alimentar.
- O fácil acesso levou a uso sem acompanhamento médico, o que preocupa especialistas por se tratar de um neuro-hormônio com impactos em funções vitais.
- Pesquisas apresentadas em 2025 associaram uso prolongado a maior risco de insuficiência cardíaca, com aumento de hospitalizações entre usuários.
- Doses acima do limite seguro podem provocar sonolência diurna, tontura e outros efeitos; a Anvisa estabelece 0,21 miligramas por dia, mas muitas pessoas aumentam a dose por conta própria.
- Poucos quadros justificam reposição; muitas vezes a insônia tem causas como ansiedade ou dor, que exigem tratamento específico. Tratamentos como a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) e mudanças de estilo de vida são opções, e é indicado procurar um médico do sono.
A melatonina, produzida pela glândula pineal, regula o sono e sinaliza ao corpo quando é hora de descansar. Além de induzir o sono, ela influencia diversos processos do organismo, incluindo temperatura e pressão arterial.
Em 2021, a Anvisa autorizou a venda da melatonina como suplemento alimentar sem receita. A classificação gerou controvérsia, pois a substância funciona como neuro-hormônio, não apenas como vitamina.
Acesso facilitado levou ao uso sem acompanhamento profissional. Especialistas alertam que hormônios demandam cautela, pois podem causar efeitos colaterais imediatos e impactos a longo prazo.
Riscos à saúde
Uma pesquisa de 2025 da Associação Americana do Coração acompanhou mais de 130 mil prontuários. Houve associação entre uso prolongado e maior risco de insuficiência cardíaca. Dados ainda são preliminares, mas relevantes.
O estudo aponta 90% de aumento na chance de insuficiência cardíaca em cinco anos entre usuários de melatonina. O risco de hospitalização pela condição também subiu 250%.
A taxa de mortalidade por qualquer causa ficou duas vezes maior no grupo que usou melatonina, comparado ao grupo de controle, indicativo de possíveis riscos com uso contínuo.
Uso seguro e adequado
Mesmo em curto prazo, doses acima do limite podem causar sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação. Sintomas comuns podem indicar excesso de melatonina no organismo.
A Anvisa definiu o limite de segurança em 0,21 mg por dia. Muitos aumentam a dose por conta própria, mantendo o excesso no corpo ao acordar e gerando efeitos indesejados.
Ajustes corretos da suplementação exigiriam medir a melatonina circulante no sangue ou na urina, o que raramente é feito, elevando os riscos de uso inadequado.
Poucas situações justificam reposição de melatonina, como cegueira total ou distúrbios severos do ritmo circadiano. Fora isso, o uso costuma ser desnecessário e arriscado.
Caminhos alternativos e orientação médica
Nem todo episódio de insônia requer melatonina; ansiedade, depressão ou dor crônica podem ser a raiz do problema, exigindo tratamento específico. A medicação indiscriminada pode mascarar a causa.
Dormir bem envolve mais do que induzir sono; o objetivo é recuperar o sono natural de forma segura. Práticas saudáveis ajudam nesse processo sem recorrer a hormônios.
A TCC-I é o tratamento de referência para insônia crônica, ajudando a modificar hábitos e pensamentos que perpetuam o problema, sem depender de medicamentos.
Mudanças de estilo de vida ajudam a qualidade do sono: reduzir luzes à noite, evitar telas e manter ambiente adequado para dormir. Além disso, fitness regular favorece a produção natural de melatonina.
Comer leve à noite reduz desconfortos e refluxo, promovendo descanso contínuo. A última refeição deve ocorrer até duas horas antes de dormir.
Técnicas de respiração e relaxamento ajudam a reduzir ansiedade e tensão, contribuindo para um sono reparador.
Ao enfrentar dificuldades recorrentes para dormir, procure um médico do sono. Apenas um especialista pode avaliar o quadro e indicar o tratamento adequado, minimizando riscos com a melatonina.
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