- Veneza pode deixar de existir como cidade histórica no longo prazo se não houver ações rápidas e profundas para reduzir emissões e investir em obras de grande escala.
- O sistema MOSE reduz grandes inundações, mas pode falhar quando o nível do mar subir acima de 0,5 metro; cenários extremos elevam o risco de enchentes recorrentes.
- Projeções indicam aumento do nível do mar em Veneza entre 0,42 metro (cenário otimista) e até 1,8 metro (pior cenário) até 2100.
- Quatro estratégias de adaptação foram analisadas: reforçar barreiras móveis, diques permanentes, isolamento da lagoa ou realocar a cidade; nenhuma resolve tudo ao mesmo tempo.
- O estudo destaca que não há solução única que preserve cidade, ecossistema, economia e população; grandes obras podem levar 30 a 50 anos para ficar prontas, exigindo decisões antecipadas.
A cidade de Veneza, na Itália, pode deixar de existir como hoje, caso não haja ações rápidas e profundas contra a subida do nível do mar. Novo estudo, publicado na Scientific Reports, aponta que o avanço das águas pode superar a capacidade de adaptação ainda neste século.
A pesquisa afirma que Veneza corre o risco de ser “ultimamente perdida” se não houver redução urgente de emissões globais e grandes obras de infraestrutura. A cidade simboliza os desafios de regiões costeiras frente à mudança climática.
Sistema MOSE e seus limites
Veneza investiu bilhões no MOSE, com 78 barreiras móveis para conter marés extremas. Embora tenha reduzido enchentes, o estudo indica que o sistema pode perder eficácia com elevação do nível acima de 0,5 metro.
A combinação de subida do mar, subsidência do solo e tempestades mais fortes agrava o problema, tornando possíveis enchentes recorrentes em cenários extremos. A vulnerabilidade da lagoa aumenta ao longo do tempo.
Cenários de subida do nível do mar
Projeções variam: até 2100, o nível pode subir cerca de 0,42 metro com fortes políticas de emissões, ou chegar a 1,8 metro no pior cenário. Pesquisadores avaliaram quatro estratégias de adaptação, sem uma solução única.
Entre as opções estão reforço de barreiras, diques permanentes, isolamento da lagoa e realocação parcial da cidade. Cada medida apresenta impactos distintos sobre patrimônio, ecossistema e economia.
Desafios de implementação
Segundo os pesquisadores, não há alternativa que preserve simultaneamente urbanismo, ecossistema, economia e segurança. Medidas radicais, como o fechamento da lagoa, alterariam drasticamente o ecossistema portuário.
Soluções mais conservadoras podem reduzir riscos, mas mantêm exposição a futuras inundações. A escolha precisa considerar perdas históricas e impactos sociais.
Tempo e riscos institucionais
O estudo destaca que obras como diques permanentes podem levar 30 a 50 anos para ficar prontas. Atrasos políticos e falhas de planejamento elevam a vulnerabilidade da cidade diante de novas inundações.
Eventos extremos já se tornaram mais frequentes. Nos últimos 150 anos foram 28 episódios de enchentes severas, com 18 ocorrências neste século, sinalizando aceleração do fenômeno.
Alerta para outras cidades costeiras
Veneza funciona como exemplo global, mostrando que infraestrutura antiga pode tornar-se inadequada frente a mudanças rápidas. Sem cortes de emissões e investimento em adaptação, riscos tendem a superar capacidades locais.
O estudo conclui que, sem ação coordenada, o tempo para salvar um dos patrimônios históricos do mundo pode se esgotar, exigindo decisões rápidas e bem planejadas.
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