- A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a Operação Alto Custo, que aponta desvio de cerca de R$ 22 milhões em notas fiscais falsas de remédios de alto custo, envolvendo treze investigados.
- Os medicamentos desviados, voltados a terapias oncológicas, doenças autoimunes e transplantes, eram retirados de distribuidoras e reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada.
- A liderança da organização seria em Goiânia; o esquema atuaria em Brasília, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com dois suspeitos foragidos e possível atuação desde 2020.
- Houve apreensão de 493 caixas de Upadacitinibe, avaliadas em cerca de R$ 4 milhões, em uma transportadora no Aeroporto Internacional de Brasília.
- Entre as drogas envolvidas estão Venclexta, Libtayo, Imbruvica, Reblozil, Tagrisso e Upadacitinibe, todos com alto custo e sensíveis à cadeia de frio, conforme alerta da indústria e da Anvisa.
A Polícia Civil do Distrito Federal revelou um esquema de desvio e reinserção de medicamentos de alto custo no Brasil. A operação Alto Custo, realizada pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), apura a emissão de notas fiscais falsas que movimentaram cerca de R$ 22 milhões. O grupo seria composto por 13 investigados, com dois foragidos.
Segundo o delegado Laércio Rossetto, a atuação envolve uma rede que atua em diferentes estados. O líder estaria em Goiânia, com mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do DF. A investigação aponta que o esquema funciona desde 2020, com foco em tratamentos oncológicos, autoimunes e transplantes.
A cadeia de suprimentos é o principal ponto de vulnerabilidade. Produtos desviados eram retirados de distribuidoras e reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada, mediante fraudes fiscais e contábeis. O objetivo era vender medicamentos de origem criminosa para instituições de saúde.
Medicamentos atingidos e riscos à saúde
Entre as substâncias desviadas estão itens caros como Venclexta, Libtayo, Imbruvica, Reblozil e Tagrisso. A carga apreendida de Upadacitinibe, avaliada em R$ 4 milhões, encontrava-se em uma transportadora no Aeroporto de Brasília. A reorganização logística inclui armazenamento que exige refrigeração, elevando o risco sanitário.
A investigação aponta que o esquema envolve furto qualificado, receptação, falsificação e corrupção, com possibilidade de responsabilização por organização criminosa. A Anvisa informou que acompanha ações relacionadas e repassará informações oficiais conforme a PCDF divulgar.
A AbbVie, fabricante de Venclexta e Rinvoq, lembrou que medicamentos desviados devem ser considerados inseguros. A empresa orientou profissionais de saúde a suspender o uso diante de suspeita de origem ou integridade, e reiterou apoio às autoridades para garantir a segurança dos pacientes.
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