- O Mose, sistema de defesa contra inundações de Veneza lançado em 2020, já evitou enchentes em cerca de 154 ocasiões, mas o aumento do nível do mar obriga a pensar num plano B.
- Fechar as barreiras custa mais de € 200 mil por evento e interrompe o tráfego marítimo no inlet de Malamocco; neste carnaval, as barreiras foram acionadas 26 vezes, gerando mais de € 5 milhões.
- A previsão de alta do nível do mar, com até um metro até o fim do século, pode exigir fechamento médio de cerca de 200 vezes por ano, o que comprometeria a lagoa e seu ecossistema.
- A equipe estuda ações como elevar o nível de ativação para 130 centímetros e fechar as barreiras de forma escalonada; há também a prática de duplicar a sala de controle para evitar falhas.
- Pesquisadores propõem um programa global com ideias de várias áreas para definir o próximo passo, além de defender a reformulação da economia de Veneza para reduzir a dependência do turismo.
Venice já pensa em plano B para a defesa contra as águas, cinco anos após a inauguração do Mose. O sistema de barreiras, instalado em 2020, protege a cidade das cheias, mas enfrenta novos desafios causados pelo aumento do nível do mar e danos ecológicos na lagoa.
O Mose, sigla para modulo sperimentale elettromeccanico, fica no Arsenale, antigo centro naval. As barreiras são ativadas para impedir a subida das águas, preservando o coração histórico da cidade. Ainda assim, a pressão do clima exige revisões.
O aumento do nível do mar tem acelerado as manobras, com impactos na fauna e no fluxo de água entre a laguna e o Adriático. Especialistas calculam que, com um metro a mais, as barreiras teriam de fechar cerca de 200 vezes por ano.
A Lagoon Authority, órgão responsável pelo Mose, enxerga a necessidade de planejar um caminho futuro. Andrea Rinaldo, chefe do comitê científico, alerta para o fim da lagoa como ambiente de transição caso as condições piorem.
O fechamento das barreiras custa mais de €200 mil por operação e interrompe o tráfego marítimo no estreito do Malamocco, que leva ao porto de Marghera. Durante o Carnaval deste ano, as barreiras foram acionadas 26 vezes em três semanas.
A administração estuda elevar o nível de ativação para 130 cm, além de testar o acionamento escalonado das defesas em cada entrada da laguna. Há relatos de que cidadãos já se acostumaram com a presença constante do Mose.
A cidade busca entender o próximo passo após o Mose. Há propostas para estimular ideias de especialistas de várias áreas, com bolsas e avaliação de um conselho científico, para definir soluções que vão além da engenharia.
Os estudiosos defendem que Veneza precise repensar sua economia, menos dependente do turismo, para preservar o patrimônio artístico e natural. O objetivo é encontrar um modelo sustentável que reduza a vulnerabilidade frente às mudanças climáticas.
Apesar da atuação do Mose, a comunidade científica insiste na necessidade de ações rápidas. O debate público acompanha a busca por um equilíbrio entre proteção contra inundações e preservação ambiental da laguna.
Entre na conversa da comunidade