- Adolescentes com transtorno bipolar têm dificuldade de reconhecer a doença e interromper a medicação pode levar à hospitalização; se o lítio for parado de forma abrupta, há 50% de chance de internação por mania em seis meses.
- Estigma e preconceito dificultam o tratamento, com a ideia de que medicação psiquiátrica vicia.
- Recomenda-se envolver toda a família no cuidado, evitando culpabilizar o adolescente pela condição.
- Mesmo com efeitos colaterais, é fundamental procurar orientação médica para ajustar a medicação em vez de abandonar o tratamento.
- Com tratamento adequado e apoio, pessoas com transtorno bipolar podem ter vida plena e produtiva; há também associação entre a condição e criatividade, citando artistas como Van Gogh, Kurt Cobain, Hemingway e Virginia Woolf.
Adolescentes diagnosticados com transtorno bipolar enfrentam dificuldades para aceitar a condição e manter o tratamento. Durante o programa CNN Sinais Vitais, a psiquiatra infantil Sheila Caetano, professora da Unifesp, destacou esses desafios.
Para Caetano, o estigma e o preconceito atuam como barreiras significativas. Ela disse que muitos jovens acreditam que usar medicação psiquiátrica provoca vício, embora a stabilização de humor seja necessária para evitar novos episódios.
A especialista ressaltou que quanto mais desestabilizações ocorrem, maior o impacto na evolução da doença. A família deve estar envolvida no tratamento, sem culpar o adolescente pela condição.
Riscos da interrupção abrupta do tratamento
O psiquiatra Beny Lafer, da USP, alertou sobre os perigos de abandonar o tratamento por conta própria. Segundo ele, deixar de tomar um medicamento como o lítio pode elevar o risco de hospitalização por mania em 50% em seis meses.
Lafer enfatizou a importância de manter acompanhamento médico para ajustes de dosagem e evitar desfechos mais graves. Mesmo diante de efeitos colaterais, a continuidade do tratamento é preferível.
Vida plena com tratamento adequado
Os especialistas afirmaram que pessoas com transtorno bipolar podem ter vida produtiva quando seguem o tratamento. Com rede de apoio, hábitos saudáveis e abstinência de drogas e álcool, a estabilidade aumenta.
O médico citou a associação entre transtorno bipolar e criatividade, mencionando artistas históricos que conviveram com a condição, sem defender visões romantizadas.
Gatilhos e prevenção
Entre os gatilhos, destacam-se privação de sono, uso de substâncias como anfetaminas e situações de estresse extremo, como perdas emocionais ou perda de emprego. Identificar e gerenciar esses fatores, aliado ao tratamento, é fundamental para a qualidade de vida de adolescentes com a condição.
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