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Aquecimento dos oceanos impõe nova ameaça a tubarões e atuns

Peixes mesotérmicos, como tubarões e atuns, consomem quase quatro vezes mais energia e correm risco de perder habitat com o aquecimento dos oceanos

Concepção artística de um tubarão e um atum em um mar aquecido - (crédito: Whisk/Google IA)
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  • Peixes mesotérmicos, incluindo tubarões brancos e algumas espécies de atum, consomem cerca de 3,8 vezes mais energia que peixes de sangue frio do mesmo tamanho.
  • O aumento da temperatura da água pode reduzir o habitat disponível e forçar migrações para áreas mais frias ou profundas.
  • O calor gerado pelo metabolismo fica mais difícil de dissipar em organismos maiores, elevando o risco de superaquecimento.
  • Cientistas estimam limites de equilíbrio térmico: tubarões mesotérmicos de 1 tonelada podem ter dificuldade para manter a temperatura estável acima de 17°C.
  • O estudo, que utilizou sensores em peixes de larvas a 3,5 toneladas, aponta implicações para ecossistemas marinhos e reforça preocupações com a pesca e a disponibilidade de alimento.

Um estudo liderado pelo Trinity College Dublin, na Irlanda, divulgado na revista Science na última semana, revela que peixes mesotérmicos, entre eles tubarões como o branco e algumas espécies de atuns, enfrentam uma dupla ameaça com o aquecimento dos oceanos. A pesquisa aponta para maior gasto energético e redução de habitat.

A análise aponta que esses peixes mantêm parte do calor do metabolismo, o que eleva a demanda por alimento. Com o aumento da temperatura da água, a taxa metabólica cresce, elevando a necessidade de energia. O efeito é mais intenso em animais de grande porte.

Além disso, o calor gerado internamente tende a se acumular em corpos maiores, dificultando a dissipação. Em exemplares de até uma tonelada, manter a temperatura estável pode ficar desafiador em águas com mais de 17°C, aumentando o risco de superaquecimento.

Principais descobertas do estudo

Os pesquisadores mostraram que peixes mesotérmicos consomem, em média, 3,8 vezes mais energia que peixes de sangue frio do mesmo tamanho. Um aumento de 10°C pode mais que duplicar a taxa metabólica básica.

O aquecimento eleva as necessidades de alimento e reduz a disponibilidade de presas, especialmente em regiões onde o frio é essencial para o equilíbrio térmico. A combinação de alto gasto energético e escassez de comida aumenta a vulnerabilidade.

Para sustentar o trabalho metabólico, esses peixes precisam migrar para águas frias ou profundas. Em todos os casos, as estratégias elevam o gasto energético e reduzem o tempo de caça eficiente.

Metodologia e dados

A equipe utilizou sensores implantados em peixes vivos para medir temperatura corporal e da água, estimando produção e perda de calor em tempo real. O conjunto variou desde larvas de 1 miligrama até tubarões de 3,5 toneladas.

Os resultados foram integrados a medições laboratoriais anteriores em espécies menores. A abordagem permitiu estimar limites de equilíbrio térmico com maior precisão do que métodos tradicionais.

Implicações para o oceano

Os autores destacam que grandes predadores costumam habitar águas frias ou profundas, cenário que pode se intensificar com o aquecimento global. A redução de habitat também chega em um momento de pressão adicional pela sobrepesca.

O estudo reforça a necessidade de monitorar efeitos do aquecimento e de planejar estratégias de conservação. Entender o orçamento de calor ajuda a prever quais espécies correm maior risco e como ecossistemas marinhos devem reagir.

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