- Médico Lucas Cardim, da zona rural de Petrolina (PE), criou a plataforma Cuidado Para Todos para gerar receituários ilustrados em minutos, usando símbolos para horários de medicação.
- O sistema já contempla mais de duzentos medicamentos, começando com três ícones e ganhando adesão principalmente para pacientes com doenças crônicas e diabetes.
- A ferramenta está presente na saúde pública de dez municípios e três distritos indígenas, em Pernambuco, Alagoas, Bahia, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
- Em uso prático, o receituário traz indicações como armazenamento de insulina, aplicação de medicamentos e orientações simples, incluindo sinais visuais para evitar erros.
- A meta é levar a tecnologia ao SUS nacionalmente, com possibilidade de integração ao Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) para facilitar adaptações locais.
O médico da família e comunidade Lucas Cardim, 39 anos, atende na zona rural de Petrolina, em Pernambuco, próximo do sertão. Ele utiliza desenhos em receituários para pacientes que têm dificuldade de leitura, buscando facilitar o entendimento sobre tratamento e horários de medicação.
A iniciativa ganhou vida após Cardim perceber a dificuldade de comunicação com pacientes que, muitas vezes, chegam sem leitura suficiente para compreender as prescrições. Em parceria com Davi Rios, engenheiro de software do Google, ele criou a plataforma Cuidado Para Todos. O objetivo é gerar receituários ilustrados em minutos.
A plataforma, desenvolvida no município, permite a criação de receituários com ícones simples, como xícaras para horários da manhã e símbolos de noite. O sistema já contempla mais de 200 medicamentos, incluindo orientações sobre uso de insulina, armazenamento e aplicação.
No atendimento, o médico adapta cada receituário às necessidades do paciente. Um idoso que buscou ajuda para parar de fumar recebeu instruções sobre o uso de adesivos, com analogias à roça para explicar o rodízio de aplicação. O foco é facilitar a compreensão prática.
Pacientes com diabete, asma e outras doenças crônicas têm se beneficiado. Um morador de Salgueiro, 64 anos, relatou que a abordagem ajudou na compreensão de como tomar o medicamento. A partir do receituário, ele consegue seguir instruções simples e visuais.
A iniciativa é aplicada principalmente em Pernambuco, Alagoas, Bahia, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo, com o uso de um formulário padrão aberto para outras regiões. O objetivo é ampliar o acesso a informações e orientações de tratamento.
A equipe por trás do projeto afirma que a tecnologia pode ser integrada ao SUS, por meio do Prontuário Eletrônico do Cidadão, para adaptar códigos e ampliar a rastreabilidade dos tratamentos. A implementação depende de parcerias com órgãos públicos.
Na prática, a plataforma já gerou impactos positivos em Bebedouro, onde mais da metade dos pacientes com glicemia descompensada conseguiu estabilizar a condição. A melhoria decorre do aumento da compreensão sobre os medicamentos e seus usos.
O projeto Saúde Pública apoia a iniciativa, com participação da Umane, entidade que trabalha para promover ações de saúde. A ideia é ampliar o alcance e manter o foco na clareza de informações para quem enfrenta dificuldades de leitura.
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