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Planeta oceânico a 100 anos-luz pode ter apenas uma camada de água líquida

Planeta a cem anos-luz pode abrigar oceano líquido global, sem continentes, elevando debate sobre mundos oceânicos e possível habitabilidade

Já imaginou um planeta sem nenhum continente, nenhuma praia e nenhuma montanha emergindo da superfície?
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  • O TOI‑1452 b é um exoplaneta localizado a cerca de 100 anos-luz da Terra, na constelação de draco, orbitando a estrela TOI‑1452, uma anã vermelha em sistema binário.
  • Foi detectado pelo satélite TESS, que observou uma queda de brilho da estrela a cada 11,1 dias, período orbital do planeta; confirmação de massa e raio foi feita com o espectrógrafo SPIRou no telescope CFHT, no Havaí.
  • A leitura dos dados sugere que o planeta é 1,67 vez maior em raio e cerca de cinco vezes mais massivo que a Terra, resultando em densidade menor que a de um planeta rochoso comum, o que aponta para uma grande quantidade de água na composição.
  • A hipótese mais provável é de oceano global de água, podendo representar até 30% da massa total do planeta, com camada de gelo de alta pressão e núcleo rochoso, segundo modelos do LNA/MCTI.
  • A possibilidade de vida é debatida: há água líquida e temperatura de equilíbrio em torno de 326 K, mas a ausência de continentes pode afetar ciclos biogeoquímicos; o planeta é alvo prioritário para observação com o James Webb (JWST) para estudo da atmosfera.

O TOI-1452 b é um exoplaneta localizado a cerca de 100 anos-luz, na constelação de Draco. Ele orbita a estrela TOI-1452, uma anã vermelha de baixa massa, em um sistema binário. A hipótese mais marcante é de que o planeta seja inteiramente coberto por água líquida.

A descoberta ocorreu em agosto de 2022, liderada por Charles Cadieux, do iREx da Universidade de Montreal. O brasileiro Eder Martioli, do LNA/MCTI, integrou a equipe, ampliando o alcance da pesquisa no Brasil.

O TOI-1452 b foi identificado pelo satélite TESS, da NASA, por uma diminuição periódica da luz da estrela a cada 11,1 dias. Para confirmar a massa, a equipe usou o espectrógrafo SPIRou no CFHT, no Maunakea, no Havaí.

A observação acumulou mais de 50 horas de dados, o que permitiu estimar raio, massa e, assim, a composição do planeta. Os resultados contribuíram para sustentar a hipótese de oceano global no planeta.

Detalhes do sistema e detecção

A densidade reduzida do TOI-1452 b sugere uma composição menos rochosa do que a Terra. A massa é cerca de cinco vezes a terrestre, enquanto o raio é 1,67 vez maior. Esses números indicam grande presença de materiais leves, possivelmente água.

Os cientistas estimam que a água possa representar até 30% da massa total do planeta, em contraste com menos de 0,1% na Terra, onde a água domina a superfície, não a massa.

Estrutura interna proposta

Segundo o LNA/MCTI, o modelo mais provável prevê três camadas: oceano líquido global na superfície, seguida por uma camada de gelo de alta pressão, e, no núcleo, rocha similar ao interior terrestre.

Essa configuração explicaria a ausência de continentes e um oceano que se estende por todo o planeta, com a água limitada apenas pela compressão e pela pressão interna.

Potencial habitabilidade

A presença de água líquida e a posição na zona habitável aumentam o interesse sobre o tema. Contudo, a ausência de terra firme pode prejudicar ciclos bioquímicos. O acoplamento de maré com a estrela e a radiação de uma anã vermelha também são fatores a considerar.

A temperatura de equilíbrio estimada fica em torno de 53 °C, o que mantém o oceano em estado líquido, mas impõe desafios à habitabilidade e à estabilidade climática.

Confirmção com o James Webb

O JWST figura como instrumento-chave para confirmar a natureza oceânica. A observação por espectoroscopia de transmissão pode detectar vapor d’água, CO2 e outros gases, indicando um oceano global.

Caso confirmada, a hipótese do mundo oceânico elevaria TOI-1452 b a um dos objetos mais estudados da astronomia moderna, ampliando os limites do conceito de habitabilidade aliada à água.

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